Produto, chamado Truth API, custa entre US$ 60 mil e US$ 100 mil por mês 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Logotipo da Truth Social exibido em um notebook — Foto: Gabby Jones/Bloomberg O presidente Donald Trump foi processado por duas organizações de mídia por causa do plano do Trump Media & Technology Group de vender acesso prioritário às suas publicações no Truth Social. O Intercept Media, organização de notícias, e a entidade sem fins lucrativos Freedom of the Press Foundation, pediram nesta quarta-feira a um tribunal de Nova York que bloqueasse o plano, classificando-o como “extraordinário, corrupto e inconstitucional”. No mês passado, a empresa anunciou que lançaria uma ferramenta que permitiria acesso prévio às publicações no Truth Social de posts e publicações capazes de movimentar o mercado financeiro, inclusive as feitas pelo próprio Trump. O serviço, chamado Truth API, custa entre US$ 60 mil e US$ 100 mil por mês. "A Truth API oferece um fluxo direto, licenciado e em tempo real das publicações da plataforma com maior potencial de movimentar os mercados, ao mesmo tempo em que avança nossa estratégia de monetizar ativos proprietários por meio de uma fonte de receita recorrente e de alta margem", disse em comunicado o diretor interino da companhia, Kevin McGurn, afirmando esperar do serviço uma "se fonte relevante e contínua de receita para a companhia". O presidente Trump é o maior acionista da Trump Media. Sua participação, avaliada em cerca de US$ 1 bilhão, é mantida em um fundo administrado por seu filho mais velho, Donald Trump Jr. “As organizações de imprensa afirmaram na ação que ‘esse esquema é profundamente corrupto’. ‘O presidente tem a possibilidade de obter ganhos financeiros ao fornecer informações governamentais que podem “movimentar o mercado” àqueles que estão dispostos e têm condições de pagar à sua empresa pessoal.’ Elas argumentaram que a Primeira Emenda garante acesso igualitário às declarações públicas de um presidente e não permite que o acesso antecipado a essas informações seja vendido. O The Intercept alegou que é prejudicado pelo atraso na divulgação de informações oficiais. Já a Freedom of the Press Foundation, que mantém um “Trump Anti-Press Social Media Tracker”, ferramenta que reúne as publicações de Trump no Truth Social que têm como alvo a imprensa, afirmou que o esquema também prejudica seus esforços. A ação pede uma decisão judicial que declare inconstitucional a publicação exclusiva de informações governamentais no Truth Social e impeça o governo Trump de utilizar a plataforma para esse fim. Um porta-voz da Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. A Trump Media afirmou, em comunicado, que as informações divulgadas pelo presidente são disseminadas por “inúmeras plataformas e veículos de comunicação, muitos dos quais oferecem APIs por assinatura”. “Um desses canais é o Truth Social, que foi criado como um refúgio de liberdade de expressão que não pode ser cancelado, depois que o presidente foi injustamente banido das plataformas”, afirmou a empresa. Trump tem utilizado com frequência o Truth Social, plataforma que criou em 2022, para fazer anúncios que posteriormente influenciaram os mercados, incluindo declarações sobre política comercial e tarifária, a guerra no Irã e até comentários sobre empresas específicas. Com 12,9 milhões de seguidores, Trump é o usuário mais popular da plataforma.