0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Serviços prestados às famílias registraram que de 1,2% em junho — Foto: Freepik A estagnação em junho apontada pela Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada nesta quarta-feira pelo IBGE, com variação nula ante a maio, confirma que o setor está, de fato, perdendo força. A expectativa do mercado de uma queda de 0,2% só não se confirmou devido ao avanço de 1,8% do segmento de informação e comunicação, que tem mantido uma dinâmica à parte do setor, pontua Rodolpho Tobler, pesquisador do FGV Ibre. Para o economista, o resultado de junho mostra uma redução da pressão inflacionária que vinha sendo exercida pelo setor de serviços. — Esse cenário é benigno quando a gente olha por essa ótica de pressão inflacionária. Apesar de o setor ter ficado estagnado, o setor de serviços já vem enfrentando dificuldades, registrando números muito próximos de zero ou até quedas. Em junho, o indicador só não caiu devido ao segmento de informação e comunicação, que tem tido uma dinâmica totalmente à parte do setor desde o início da pandemia, com um crescimento muito forte. Todas as outras atividades registraram queda em junho, o que deixa bem clara essa desaceleração da atividade de serviços — afirma Tobler. Das cinco atividades analisadas pelo IBGE, quatro registraram recuo em junho. O principal impacto negativo veio do grupo de serviços profissionais, administrativos e complementares, que teve queda de 1,4%, seguido por outros serviços (-2,2%), serviços prestados às famílias (-1,2%) e transportes (-0,1%). Conteúdos políticos de IA viralizam antes do início oficial da campanha. Má notícia para o eleitor: ferramentas de detecção falham Para Matheus Pizzani, economista do PicPay, embora exista de fato uma parcela do resultado de hoje que possa sugerir alívio na inflação do setor no curto prazo, principalmente por conta da queda dos serviços prestados às famílias, ainda parece prematuro cravar que esta relação vai se tornar perene no decorrer do ano e, principalmente, que ela tenha impacto expressivo no IPCA. — A maior parte da desaceleração do volume de serviços prestados está ligada à componentes da oferta, que possui impacto relativamente menor sobre a inflação de serviços, ditada essencialmente pela demanda agregada e seus condicionantes, como o nível de renda proveniente do mercado de trabalho formal e informal. Os serviços influenciados pela inércia inflacionária praticamente não são impactados por indicadores correntes, uma vez que carregam o efeito da variação passada do IPCA para sua definição, o que significa que a desaceleração marginal que vimos nos últimos dois meses deve levar algum tempo para ser sentida na ponta - afirma. Pizzani manteve a estimativa de crescimento de 0,4% para o PIB do segundo trimestre, mas ressaltou que os resultados mais recentes dos indicadores setoriais, que apontaram queda generalizada na indústria e desempenho mais fraco do setor de serviços, adicionem um viés de baixa à projeção, reforçando a percepção de desaceleração da economia.