O economista Stéfano Pacini do FGV Ibre explica que as empresas passaram a investir mais em soluções tecnológicas e de comunicação para viabilizar o trabalho remoto, o que ajudou a sustentar o segmento 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O setor de serviços em junho mostra sinais de desaceleração em segmentos mais ligados ao ciclo econômico, afirma o economista Stéfano Pacini do FGV Ibre. Ele destaca que os serviços de informação e comunicação (+1,8%) seguem em trajetória positiva, enquanto setores como transporte de passageiros (-4,0%), turismo (-3,4%) e serviços profissionais (-1,4%) começam a sentir os efeitos de uma atividade econômica menos aquecida. “Quando tem estabilidade, alguma coisa está legal e alguma coisa está ruim”, explica. Para o economista, os serviços de informação e comunicação estão puxando o resultado para cima por uma mudança estrutural da economia, acelerada durante a pandemia. Ele explica que as empresas passaram a investir mais em soluções tecnológicas e de comunicação para viabilizar o trabalho remoto, o que ajudou a sustentar o segmento desde então. Nos demais setores, porém, já aparecem sinais de uma desaceleração da atividade, na avaliação do economista. Ele cita os serviços profissionais, que são bastante relacionados ao ciclo econômico por atenderem outras empresas. A cautela da indústria, afirma, já começa a se refletir na demanda por esse tipo de serviço. O transporte de passageiros e as atividades ligadas ao turismo também chamam a atenção do economista. Para ele, os resultados indicam que o consumidor está mais cauteloso. Os serviços prestados às famílias caíram 1,2%, mas ainda mostram alguma resiliência, especialmente as atividades de alimentação (acumulam alta de 3,6% em 2026), que seguem sustentadas por uma melhora no mercado de trabalho, afirma. “O consumidor parece estar optando muito mais por se alimentar fora de casa do que fazer uma viagem. Quando não necessariamente existe essa relação de ‘eu faço um ou eu faço outro’, às vezes ele pode fazer ambos. Um aumento do setor de alimentação também pode ser positivo para o setor de turismo. Mas o consumidor já está mostrando uma opção de não viajar, de ser mais seletivo em relação ao consumo de serviços”, afirma. Para o segundo semestre, o cenário é complexo e ainda é esperada uma desaceleração, afirma Pacini. O economista cita que serão fatores de atenção a maior cautela dos empresários, a possibilidade de aumento da incerteza com a aproximação das eleições e a menor contribuição de medidas de estímulo ao consumo que ajudaram a atividade no primeiro semestre. — Foto: Fotocitizen/Pixabay