* Por Rafael Caribé

Quando a Nota Fiscal Eletrônica foi criada, muitas empresas acreditaram que estavam apenas substituindo papel por arquivos digitais, mas o tempo mostrou que a mudança era ainda maior, com revisão de processos, integração entre sistemas e uma nova forma de administrar informações. Com o Pix, aconteceu algo parecido. O novo meio de pagamento acelerou a digitalização financeira de empresas de todos os portes. Desta vez, é a Reforma Tributária que segue essa lógica.

Embora o debate esteja concentrado nas novas alíquotas, na CBS, no IBS e no período de transição, acredito que essa seja, acima de tudo, uma reforma tecnológica. Não porque a legislação seja digital, mas porque ela depende da tecnologia para funcionar.

A partir deste ano, as empresas já precisam emitir documentos fiscais eletrônicos com destaque individualizado da CBS e do IBS, conforme os novos layouts definidos pela Receita Federal. Também começa o período de testes do novo modelo, que servirá justamente para validar processos, sistemas e integrações antes da implementação definitiva.

Essas exigências revelam uma mudança importante de perspectiva. Durante décadas, era possível conviver com processos parcialmente manuais, planilhas espalhadas entre departamentos e sistemas que pouco conversavam entre si. Não era o cenário ideal, mas ainda havia espaço para conferências, ajustes e retrabalho.