A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) concluiu, meses antes do acidente da Voepass que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), que não havia irregularidades na reutilização de peças de aeronaves antigas da companhia, que estavam fora de atividade.

O diagnóstico foi feito pela agência após um relatório apresentado por um de seus funcionários. A direção da Anac usou a conclusão para ampliar a punição contra este servidor, que havia levado o caso às autoridades aeronáuticas dos Estados Unidos e da Europa.

A agência concluiu, conforme informações obtidas pela Folha, que a aeronave ATR 72-500, matrícula PS-VPB, que caiu em Vinhedo em 9 de agosto de 2024, não fazia uso de componentes retirados de outro avião envolvido em um incidente em 2016, conforme inspeção da própria Anac. A aeronave acidentada só entraria na frota da empresa três anos depois, sem receber componentes do avião antigo.

A Polícia Federal enviou uma cópia do relatório que investiga a queda do avião da Voepass para que a corregedoria regional da instituição em São Paulo analise uma possível ocorrência do crime de prevaricação (quando um agente público deixa de cumprir seu dever) ou corrupção passiva por parte de algum integrante da Anac. A PF indiciou 16 pessoas pela queda do avião.