Nesta segunda-feira, Caiado apresentou o seu plano de governo para a área de segurança 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Gakiya e Caiado: presidenciável convidou promotor de SP para comandar Ministério da Segurança, caso ganhe o pleito — Foto: Reprodução Nome do candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) para assumir um eventual Ministério da Segurança em seu governo, o promotor do Ministério Público de São Paulo Lincoln Gakiya, que não foi oficialmente convidado para o cargo, já expressou posicionamentos contrários ao do presidenciável quanto a políticas para a área. Uma das divergências se dá na classificação de facções criminosas como organizações terroristas. No final de maio, Caiado elogiou a decisão dos Estados Unidos de atribuir a classificação ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O ex-governador de Goiás já prometeu que, caso seja eleito em outubro, irá incluir os dois grupos criminosos na categoria. — Se eu estivesse no governo, eu já tinha decretado como terrorista e já tinha ampliado muito mais as penas — disse Caiado no dia 29 de maio, em um evento na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul. Ele usou a decisão do governo de Donald Trump para criticar o governo do adversário Luiz Inácio Lula da Silva — Nós sabemos que esta situação já deveria ter sido tomada mais cedo pelo próprio governo e não criar uma situação extremamente desconfortável. Nesta segunda-feira, Caiado apresentou o seu plano de governo para a área de segurança. Um dos eixos do programa, batizado de Operação Reconquista, é a criação de uma Lei do Terrorismo Doméstico para enquadrar milícias e facções na classificação. O texto permitiria tratar essas organizações como terroristas mesmo sem elas apresentarem motivações ideológicas para seus crimes. Gakiya, por outro lado, já se manifestou de forma contrária à decisão americana. Conhecido por ser um dos principais nomes no combate ao PCC em São Paulo, tendo sido jurado de morte pela facção, ele disse não ver benefícios na classificação adotada pelos Estados Unidos. Ele também demonstrou preocupação em relação a possíveis ações americanas em território nacional e sanções econômicas. Na época em que a classificação foi anunciada, Gakiya disse temer que ela pudesse dificultar a troca de informações com autoridades locais. — Não vi, nessa última década, nenhum avanço interno no México, seja por intervenção norte-americana ou não, em conter o avanço dos cartéis, que hoje praticamente dominam a economia mexicana. Esses cartéis já foram classificados como terroristas há muitos anos e continuam operando (...) Os Estados Unidos não têm conseguido combatê-las nem mesmo dentro do seu território. Os cartéis mexicanos, as maras de El Salvador, o Trem de Aragua e o próprio PCC estão operando normalmente dentro dos Estados Unidos. Não é a classificação por si só que vai melhorar — disse Gakiya ao GLOBO em maio. Após Caiado falar do interesse de ter o promotor em sua equipe, Gakiya disse à imprensa que não poderia aceitar o convite devido ao vínculo com o Ministério Público de São Paulo. "Somente no fim do ano eu completo os requisitos para eventualmente me aposentar no MP", disse ao g1. A classificação de CV e PCC como terroristas é um dos vetores da crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos. O episódio foi uma oportunidade para o governo federal retomar o mote da soberania, uma das apostas de Lula para a campanha na qual tentará a reeleição. Além de Caiado, outros adversários do petista, como o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o senador do Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também já defenderam a medida americana.