0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Empresas terão de avaliar o impacto algorítmico dos sistemas de inteligência artificial — Foto: Pixabay A inteligência artificial já faz parte da rotina da maioria dos líderes brasileiros, mas as empresas ainda estão longe de alcançar um nível elevado de maturidade no uso da tecnologia. É o que mostra o levantamento do Talenses Group sobre "Lideranças Orquestradoras na Era da IA". A pesquisa foi realizada com 171 profissionais, dos quais 137 ocupam cargos de liderança. Segundo a pesquisa, 44% dos entrevistados afirmam que suas empresas ainda estão na fase de experimentação individual. Apenas 17% dizem que as organizações chegaram ao estágio de workflows governados, enquanto somente 2% afirmam operar com sistemas adaptativos. Sobre a frequência de uso, 59% dos líderes utilizam inteligência artificial diversas vezes ao dia e outros 23% recorrem à tecnologia pelo menos uma vez ao dia. Entre as aplicações mais comuns estão pesquisa e síntese de informações, mencionadas por 85% dos entrevistados, resumo de documentos (69%), criação de apresentações (64%) e geração de conteúdo (55%). Para 89% dos profissionais ouvidos, a IA proporciona economia de tempo, enquanto 86% relatam aumento de produtividade. Outros 64% destacam a redução de atividades repetitivas e 60% apontam melhora na qualidade das entregas. Apesar disso, a adoção ainda ocorre de maneira pouco estruturada. A falta de conhecimento é apontada como o principal obstáculo para o avanço da IA, citada por 52% dos entrevistados. Na sequência aparecem falta de investimento (29%), falta de direcionamento da empresa (28%), falta de segurança ou confiança na tecnologia (23%) e falta de tempo (22%). Para Denise Rendtorff, sócia e diretora-geral da Talenses Human Capital, os dados revelam um descompasso entre o entusiasmo dos profissionais e a preparação das empresas. — De um lado, a IA já está presente no dia a dia: 59% dos líderes usam a ferramenta diversas vezes ao dia e 82% relatam ganhos claros, como economia de tempo (89%) e aumento de produtividade (86%). Do outro lado, a maturidade organizacional ainda é baixa: 44% das empresas estão na fase de experimentação individual e apenas 2% operam com sistemas adaptativos. Ou seja, a adoção está acontecendo de forma fragmentada e isolada, e não através da estrutura sistêmica das empresas. A falta de capacitação também aparece nos dados. Embora 50% das empresas ofereçam treinamentos formais, 49% promovam workshops e eventos e 40% tenham trilhas de aprendizagem, 23% ainda não possuem iniciativas estruturadas para IA. Na prática, o aprendizado depende principalmente do esforço individual: 62% dos líderes dizem ter aprendido a utilizar a tecnologia por iniciativa própria, enquanto apenas 24% receberam treinamento da empresa. A percepção de que a inteligência artificial ainda pode transformar significativamente o trabalho também é predominante entre os líderes. Para 46%, algumas atividades que hoje são realizadas por pessoas poderiam ser executadas por IA. Outros 40% afirmam que muitas atividades poderiam ser automatizadas. Nesse cenário, 65% dos entrevistados consideram que a principal competência necessária para a liderança nos próximos anos será a capacidade de orquestrar o trabalho entre pessoas e inteligência artificial. Na sequência aparecem desenvolvimento de talentos (58%), governança, ética e uso responsável da IA (54%) e condução da transformação contínua (50%).