Em janeiro de 2025, escrevi que as taxas de juros reais (indexadas à inflação) dos títulos públicos estavam em níveis que não se viam desde a crise financeira de 2009. Passado um ano e meio, os juros reais estão até um pouco mais altos que estavam. Cerca de 7,8% mais o IPCA para um período de 10 anos.

Na comparação com outros países, esse número salta aos olhos. É possível encontrar taxas de juros reais ainda maiores em países com inflação muito alta, como Argentina e Turquia, mas há poucos casos como esses.

A Colômbia, com juros reais em torno de 6%, chega perto. México e África do Sul pagam juros reais inferiores a 5% nos títulos de 10 anos, enquanto no Chile e Uruguai, as taxas estão abaixo de 3%.

Na comparação com o passado, as taxas de juros também estão altas demais. Tivemos taxas de juros parecidas em momentos de grandes crises (a crise internacional de 2009 e a do governo Dilma Rousseff em 2016). Não estamos passando por uma recessão, não há turbulência nos mercados internacionais.

Uma taxa de juros real tão elevada gera diversos problemas.