Ambientes planejados para a rotina podem influenciar conforto, organização, autonomia e a forma como as pessoas vivem dentro de casa. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Daugliesi Giacomasi Souza — Foto: Divulgação Uma casa funcional não é necessariamente maior, mais sofisticada ou mais cara. Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, considera que a funcionalidade está na capacidade dos ambientes de responder às atividades diárias dos moradores. Circulação adequada, iluminação, armazenamento e distribuição dos móveis podem reduzir obstáculos e facilitar tarefas comuns, especialmente em residências que passaram a concentrar trabalho, descanso, estudo, lazer e convivência. O que torna uma casa realmente funcional? A funcionalidade começa antes da escolha dos móveis ou das cores, comenta Daugliesi Giacomasi Souza. Ela depende da compreensão sobre quem utiliza cada ambiente, quais atividades acontecem ali e como os espaços se conectam. Uma cozinha, por exemplo, precisa facilitar preparo, armazenamento e circulação. Um quarto pode exigir soluções diferentes quando também funciona como espaço de estudo. Pesquisas sobre qualidade habitacional relacionam funcionalidade, acessibilidade, iluminação, conforto térmico e qualidade do ar às condições de habitabilidade. Isso mostra que a qualidade de uma moradia não depende apenas da aparência, mas também de como o espaço responde às necessidades dos moradores. Assim, decisões de projeto podem contribuir para ambientes mais confortáveis, seguros e adequados à rotina. Daugliesi Giacomasi Souza observa essa questão a partir do design de interiores. Antes de definir elementos decorativos, compreender a rotina permite identificar mudanças capazes de melhorar o uso do imóvel. Essa abordagem também ajuda a preservar áreas importantes para circulação e armazenamento, evitando que escolhas visuais comprometam a funcionalidade do ambiente. Como a organização dos ambientes afeta a rotina? Daugliesi Giacomasi Souza alude que a desorganização dentro de casa nem sempre é resultado de falta de disciplina. Muitas vezes, ela está relacionada à ausência de espaços adequados para guardar objetos e realizar atividades. Quando aquilo que é utilizado diariamente fica distante ou sem local definido, a própria configuração do ambiente cria dificuldades. Por isso, soluções de organização precisam considerar os hábitos e as necessidades de quem utiliza cada espaço. O problema pode se tornar maior em imóveis compactos. Neles, cada área precisa cumprir sua função sem comprometer as demais. Móveis multifuncionais, armários bem dimensionados e soluções de armazenamento podem liberar circulação e permitir diferentes usos para o mesmo espaço. Esse planejamento também contribui para aproveitar melhor áreas reduzidas sem prejudicar o conforto dos moradores. Para Daugliesi Giacomasi Souza, esse é um dos pontos que aproximam a decoração e o planejamento. Um ambiente bonito pode perder eficiência quando não considera a rotina. Por outro lado, uma solução funcional pode permanecer relevante mesmo quando tendências estéticas mudam. A prioridade passa a ser criar espaços que continuem adequados às necessidades dos moradores ao longo do tempo. Por que iluminação e circulação também são questões sociais? A relação entre moradia e qualidade de vida ultrapassa a organização. Iluminação natural, ventilação, conforto acústico e facilidade de circulação influenciam as condições de permanência dentro dos ambientes. Esses fatores ganham ainda mais importância quando diferentes pessoas compartilham a mesma residência e possuem necessidades distintas ao longo da rotina. A circulação também está ligada à autonomia, especialmente para crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida. Segundo Daugliesi Giacomasi Souza, considerar acessibilidade e necessidades reais dos moradores desde o projeto transforma a casa em um espaço mais adequado às diferentes fases da vida e à rotina familiar. Essa abordagem permite criar ambientes mais seguros, confortáveis e preparados para acompanhar as mudanças nas necessidades dos moradores.