Projetos internos passaram a influenciar a percepção de valor, a funcionalidade e até as decisões de compra no mercado imobiliário. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Daugliesi Giacomasi Souza — Foto: Divulgação O mercado imobiliário não é definido apenas por localização, metragem e número de dormitórios. Para Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, a forma como um imóvel é organizado também interfere na experiência do comprador e na percepção sobre o patrimônio. Nesse contexto, o design de interiores ganhou espaço nas decisões relacionadas a reformas, lançamentos e preparação de imóveis para venda, reforçando a importância de pensar os ambientes não apenas pela estética, mas pela maneira como respondem às necessidades de quem irá ocupá-los. O que faz um ambiente influenciar o valor percebido? A primeira mudança está na forma como o comprador enxerga o imóvel. Um ambiente bem planejado facilita a compreensão dos espaços, evidencia possibilidades de uso e pode tornar mais clara a relação entre área disponível e rotina. Assim, características que antes pareciam secundárias passam a participar da avaliação da propriedade e influenciam a percepção sobre sua funcionalidade. Iluminação, circulação, armazenamento e distribuição dos móveis são exemplos de elementos que interferem diretamente nessa experiência. Uma planta com metragem semelhante pode produzir percepções completamente diferentes, dependendo de como seus ambientes são organizados e de como as soluções atendem às necessidades dos moradores. Por isso, o aproveitamento adequado de cada área pode fazer diferença na percepção de conforto e praticidade. Daugliesi Giacomasi Souza observa essa relação a partir do trabalho desenvolvido na DGdecor. O projeto de interiores passa, então, a considerar uma questão econômica: como utilizar melhor o espaço disponível sem transformar cada escolha em um gasto sem finalidade clara e sem comprometer a praticidade do ambiente. Essa abordagem permite equilibrar escolhas estéticas, necessidades funcionais e os recursos disponíveis para cada projeto. Quando uma reforma deixa de ser apenas estética? Reformar um imóvel envolve uma decisão financeira. Materiais, mão de obra, mobiliário e alterações de layout representam recursos que precisam estar relacionados a uma necessidade concreta. Por isso, uma reforma bem planejada não deveria partir apenas daquilo que está em alta, mas das características do imóvel e de seu público, considerando também funcionalidade, durabilidade e os objetivos de quem investe no espaço. Esse cuidado é especialmente relevante para quem pretende vender ou alugar uma propriedade, já que uma solução visualmente marcante pode não atender a diferentes perfis de moradores. Na atuação de Daugliesi Giacomasi Souza, o design é considerado parte do planejamento do espaço, com escolhas de acabamentos, cores e mobiliário que precisam dialogar com circulação, manutenção e durabilidade, aproximando estética e funcionalidade. Por que a experiência de morar ganhou importância? O comportamento do consumidor também mudou. A residência passou a concentrar diferentes atividades, como trabalho, descanso, convivência e lazer. Com isso, ambientes que conseguem cumprir mais de uma função ganharam relevância na escolha de um imóvel e passaram a exigir soluções mais adaptáveis à rotina. Essa flexibilidade permite aproveitar melhor áreas disponíveis e atender às mudanças nas necessidades dos moradores ao longo do tempo. Essa transformação aumenta a importância do planejamento interno. Um espaço pequeno pode ter diferentes possibilidades quando conta com soluções adequadas de armazenamento e circulação. O mesmo ocorre em imóveis maiores, nos quais a ausência de organização pode comprometer justamente a sensação de conforto que a metragem deveria proporcionar e dificultar o aproveitamento completo dos ambientes. Segundo a fundadora da DGdecor, Daugliesi Giacomasi Souza, essa relação ajuda a explicar por que o design de interiores não deve ser reduzido à decoração. O projeto precisa interpretar a rotina e transformar características físicas em soluções de uso. Essa mudança de perspectiva aproxima o trabalho do designer das expectativas do mercado imobiliário e das necessidades de quem utiliza o imóvel diariamente.