Transação depende de empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que vai lançar um leilão no modelo “stalking horse’, ou seja, outros players poderiam ofertar um lance 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 No seu balanço do segundo trimestre, o BTG ressalta que ainda está negociando a compra do Digimais, do bispo Edir Macedo. Como o Valor mostrou, após a instituição ser alvo de uma operação da Polícia Federal, o BTG reconsiderou seu apetite, mas não desistiu totalmente da aquisição. No documento trimestral, o BTG lembra que em 8 de abril anunciou que celebrou documentos vinculantes para a aquisição do controle acionário do Digimais. “A celebração desses documentos tem por objetivo estabelecer um valor de referência e determinadas condições para a alienação da totalidade das ações do Banco Digimais e de outros direitos correlatos, no âmbito de um processo competitivo a ser oportunamente lançado, o qual deverá considerar, ainda, regras de suporte financeiro ao Banco Digimais.” A compra do Digimais pelo BTG depende de um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que vai lançar um leilão no modelo “stalking horse’, ou seja, outros players poderiam ofertar um lance maior que o BTG. Fontes com conhecimento do assunto dizem que as conversas com o FGC esfriaram um pouco nos últimos dias e esse processo competitivo ainda está longe de ser lançado. Como o Digimais tem liquidez, já que é bem capitalizado, não há muita pressa do FGC em fazer esse resgate. “Como o Digimais não está captando e vem honrando seus passivos, para o FGC isso é bom, vai diminuindo a conta. Mas é claro que, para o acionista controlador, não é agradável, pois a situação do banco vai se deteriorando e ele pode ser obrigado a colocar mais capital”, aponta um observador. Outro interlocutor diz que o interesse do BTG também vai depender do preço e do apoio do FGC e do Banco Central. “A questão é fácil de resolver, a solução já está desenhada, mas o FGC, que tem R$ 7 bilhões a perder [se o Digimais for liquidado], não se mexe. O interesse do BTG também não é infinito. Eles não precisam disso. Não vão ficar se expondo e perdendo tempo indefinidamente”, afirma a fonte. O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono do Banco Digimais — Foto: Rafael Andrade/Folhapress