No mito grego, Sísifo foi condenado a empurrar uma enorme pedra até o topo de uma montanha, de onde ela rolava de volta até a base, obrigando-o a empurrá-la novamente, assim por toda a eternidade.
Não há metáfora melhor para o atual cenário do Judiciário brasileiro, que reúne 76 milhões de processos. O fenômeno tem nome: litigância abusiva. Os perpetuadores são sempre os mesmos cinco advogados ou escritórios mais atuantes em cada tribunal, com concentração de 20% a 70% dos casos, segundo diagnóstico de dezembro de 2025 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Ilustração de Carvall - Folhapress
O rolar dessa pedra gera um custo alto para os cofres públicos, chegando a R$ 11 bilhões, gastos na análise de processos que, na prática, são inviáveis.
O setor financeiro e bancário ainda é o principal impactado, mas outros setores, como telefonia, aviação e construção civil, são bastante visados. E o fenômeno não é igual em todo o país: em Minas Gerais, por exemplo, as ações sobre o rompimento da barragem em Brumadinho lideram a litigância abusiva no estado.







