Eleições 2026
Na cabeça de Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência, existe um brasileiro malandro e preguiçoso, que gosta de ser pobre e vive pendurado em programas sociais enquanto assiste à Netflix em casa. Esse personagem, que vira e mexe o político põe em cena, reapareceu na longa entrevista que ele concedeu à GloboNews na semana passada.
De camisa polo laranja por dentro da calça, o mineiro de Araxá apresentou-se como o oposto da caricatura que inventou: o rico trabalhador, que empreende, luta contra um Estado cruel e opressor e quer privatizar o que vê pela frente.
Em seguida, descreveu seu brasileiro imaginário: um homem saudável, sem criança nem idoso para cuidar, que recebera uma, duas, três propostas de emprego e recusara todas. Segundo Zema, o personagem quer “ficar só vivendo de bico” e é beneficiado por um país que se acostumou a “dar tudo de graça, sem nenhuma contrapartida”.
“Comigo isso vai acabar”, disse. Foi mais uma de muitas falas que, desde a entrada de Zema na vida pública, revelam no herdeiro milionário uma aversão aos pobres. Agora candidato à Presidência, ele falará muito e o País inteiro vai acabar ouvindo. O blá-blá-blá liberal com pitadas de nonsense não ficará restrito às montanhas carcomidas pela mineração.









