Nos últimos meses, muitos investidores passaram a ouvir uma nova recomendação: mudar a forma de remuneração do profissional que os atende seria a melhor atitude para eliminar conflitos de interesse e, assim, ter melhores investimentos. O problema é que ela simplifica uma questão muito mais complexa.

Conflito de interesse não significa fraude, má-fé ou falta de ética. Ele existe quando um profissional pode ter incentivos que, em determinadas situações, influenciem uma decisão que deveria ser tomada exclusivamente em benefício do cliente. Isso não significa que ele agirá dessa forma, apenas que esse risco potencial existe.

Mudar a forma de remuneração altera incentivos, mas não elimina os potenciais conflitos de interesse. - Jeenah Moon/Reuters

Essa realidade não é exclusiva do mercado financeiro. Todos que agem em nome de um terceiro ou fornecem recomendação, como consultores, médicos, advogados, corretores de imóveis e executivos também convivem com potenciais conflitos de interesse.

Nem por isso concluímos que todos agirão contra quem representam. O que esperamos deles é competência, transparência e ética para administrar esses conflitos.