Imagine um engenheiro que descobre uma falha no projeto de uma ponte e, em vez de refazer os cálculos, começa a procurar argumentos para provar que a estrutura continuará de pé. Ele ignora os testes desfavoráveis, desqualifica quem aponta o problema e seleciona apenas as evidências que confirmam sua primeira avaliação. Ninguém gostaria de atravessar essa ponte. No entanto, muitos investidores fazem exatamente isso com o próprio patrimônio.

Antes de investir, eles se comportam como analistas. Pesquisam, comparam alternativas, avaliam números e procuram entender os riscos. Depois que tomam a decisão, porém, mudam de função. Passam a agir como advogados. Deixam de investigar se continuam certos e passam a defender a escolha que fizeram.

Nada contra os advogados, naturalmente. Em um processo, sua função é reunir os melhores argumentos para defender a posição de seu cliente, seja ele inocente ou culpado. O advogado não está ali para julgar, apenas para defender sua posição. O problema surge quando o investidor transforma o mercado em um tribunal e imagina que seu objetivo é provar que não errou.

Por exemplo, ele compra uma ação e, algum tempo depois, os resultados da empresa pioram. A dívida cresce, as margens diminuem e os concorrentes ganham espaço. Em vez de reavaliar a tese, procura relatórios otimistas, vídeos que confirmem sua convicção e explicações para mostrar que a queda é apenas temporária. Toda informação favorável parece relevante. Qualquer evidência contrária parece exagerada. Esse comportamento não se restringe apenas a ações, mas a todas as decisões de investimentos, passando por imóveis, câmbio, fundos imobiliários, renda fixa e outros.