No século 19, o poeta americano Walt Whitman descreveu uma travessia de barca no Brooklyn. Nele, enviava uma mensagem às gerações futuras: "Assim como você se sente quando olha para o rio e para o céu, assim eu me senti". No século 20, o português Fernando Pessoa respondeu a Whitman com estes versos: "Conforme tu sentiste tudo, sinto tudo, e cá estamos de mãos dadas".

O escritor e diplomata brasileiro Alexandre Vidal Porto, de 61 anos, gosta de citar esses dois poemas para explicar seu projeto literário.

O autor se enxerga dando uma mão a Whitman e a Pessoa e estendendo a outra aos escritores do porvir. "Eu me proponho a ser um guia", diz ao repórter. Baseado em Amsterdã, onde atua como cônsul-geral, ele veio ao Brasil para participar da Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty.

Autor dos celebrados romances "Cloro", de 2018, e "Sodomita", de 2023, Vidal Porto retoma a tarefa de guia em "Só Depois Entenderei", recém-publicado pela Companhia das Letras. "Embora eu escreva para elucidar questões minhas, quero fazer um mapa para as outras pessoas também", afirma.

O livro acompanha a história de um diplomata brasileiro em Nova York nos anos 1990. O protagonista adentra as salas de bate-papo online daquela era —que antecederam os aplicativos de paquera— e encontra um homem casado, com quem logo trava um intenso relacionamento.