Na região da Baía de São Francisco, é comum ouvir a mesma história sobre a IA. A tecnologia, segundo muitas pessoas que trabalham nos laboratórios, criará uma "classe inferior permanente". Dario Amodei, diretor-presidente da Anthropic, fez referência a esse fenômeno em um ensaio publicado este ano, estimando que 50% dos empregos de nível inicial no setor administrativo e profissional serão afetados nos próximos cinco anos.
A ideia é a seguinte: à medida que os modelos se aproximam da inteligência artificial geral (AGI), uma pequena elite tecnológica será proprietária das plataformas de IA, dos data centers e da energia que movimentam grande parte da economia. A IA agêntica e a robótica avançada substituirão o trabalho humano como o conhecemos, e a maioria dos empregos desaparecerá. A maior parte da população, segundo a visão predominante em São Francisco, terá poucos ativos e enfrentará dificuldades para obter uma renda decente vendendo sua força de trabalho.
Os economistas deveriam ser céticos em relação a grandes narrativas que carecem de evidências concretas. Certamente, as opiniões dos funcionários de empresas de tecnologia são conjecturas. Os dados do mercado de trabalho oferecem poucas evidências, e pouco conclusivas, de uma disrupção causada pela IA. E alguns dos economistas mais renomados previram que a IA terá um impacto mais modesto.










