Cidade baiana se tornou uma das mais violentas ao abrigar facção cujo chefe se esconde em favela no Rio 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Operação da Polícia Federal em Arraial d’Ajuda, distrito de Porto Seguro — Foto: Divulgação/Polícia Federal O aumento da violência em regiões além do eixo Rio-São Paulo é reflexo da ampliação geográfica do tráfico de drogas. Um exemplo é o Sul da Bahia, ponto de forte atração turística que se tornou uma das áreas mais violentas do país. O caso ressalta a necessidade de as autoridades ligadas à segurança, nos três níveis da administração pública, planejarem e executarem planos integrados de repressão aos traficantes. O país como um todo tem registrado queda na violência, medida pelas mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes. Em 2015, esse índice era de 28,6. Atingiu o pico de 30,9 em 2017 e no ano passado foi de 19,1 — queda de 33,2% em dez anos, pelos dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). A análise dos dados regionais, porém, revela situações preocupantes. Das dez cidades mais violentas do país, cinco ficam na Bahia. Porto Seguro (segunda colocada no ranking) e a vizinha Eunápolis (quarta) se converteram em referência negativa na segurança pública. De acordo com David Marques, gerente de programas do FBSP, os motivos transcendem a falta de policiamento. Com o turismo, a região de praias passou a atrair o varejo de drogas. Porto Seguro também ocupa um ponto logístico estratégico, perto do entroncamento de rodovias importantes (BR-101 e BR-367) e não muito distante do Porto de Ilhéus. Dispõe ainda de um aeroporto internacional, que recebe voos fretados. Viajantes de poder aquisitivo elevado fecham o pacote que atrai o tráfico — e, com ele, a violência. Houve no ano passado 130 homicídios em Porto Seguro, ou 71,2 por 100 mil habitantes, quase o quádruplo da média nacional. A letalidade das polícias da Bahia, as que mais matam no país, é outro ingrediente que contribui para as estatísticas funestas. Depois do surgimento do Comando Vermelho (CV) no Rio e do Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo, grupos locais procuraram reproduzir a estrutura dessas facções noutros estados. Na região de Porto Seguro atua o Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), chefiado por Ednaldo Pereira Souza, o Dada, ligado ao CV. Foi esse vínculo que lhe garantiu esconderijo no Rio, depois de fugir da penitenciária local em dezembro de 2024, com ajuda da então diretora, a pedido do ex-deputado federal Uldurico Júnior, preso em abril. Dada conseguiu escapar de uma operação no Morro do Vidigal e passou a se esconder na favela da Rocinha. Do Rio, comanda o PCE, enquanto na Justiça da Bahia é alvo de processos sobre desaparecimentos e homicídios relacionados ao controle do tráfico na região. Tal situação expõe os limites das políticas estaduais no combate a organizações criminosas que se espalham por todo o país. De nada adianta a polícia baiana disparar tiros, se o cérebro da organização continua no Rio de Janeiro. Sem integração das forças de segurança sob coordenação federal e um plano de asfixia financeira das facções, a violência não será contida. O primeiro passo para isso é a aprovação da PEC da Segurança, que infelizmente ainda repousa em alguma gaveta do Senado.
Porto Seguro ilustra flagelo da expansão do crime organizado
Cidade baiana se tornou uma das mais violentas ao abrigar facção cujo chefe se esconde em favela no Rio







