Fica na Mongólia Interior, na China, o primeiro parque industrial com saldo zero de dióxido de carbono, o principal gás do efeito estufa. Mas, ao contrário do que parece, o projeto não se refere a um complexo manufatureiro no qual não há emissões, mas a um cálculo que permite compensar matematicamente a quantidade de emissões lançadas na atmosfera.

Chamado de "net-zero", o parque abriga fábricas de baterias e de turbinas eólicas e tornou-se parte da vitrine chinesa de energia renovável. Desde sua inauguração, em 2022, foi reconhecido pelo Fórum Econômico Mundial como o primeiro do tipo no mundo, e virou um modelo que a empresa responsável, a Envision, quer exportar.

Para chegar ao saldo líquido de emissões de CO2, projetos do tipo equiparam o consumo de energia à geração renovável, ao armazenamento e a sistemas de gestão de carbono ao longo de um período de contabilização definido, explica Gang He, professor de política energética e climática da Faculdade Baruch, dos Estados Unidos.

"Trata-se de uma inovação importante, porque a descarbonização industrial exige exatamente esse tipo de coordenação entre energia limpa, armazenamento e demanda flexível."

O docente afirma que, embora admirável, a iniciativa tem ressalvas. Uma delas é que a contabilização pode ser anual, o que permite compensar contabilmente o uso de combustíveis fósseis nos períodos em que não há disponibilidade de fontes renováveis –no caso da energia solar, por exemplo, durante a noite. Para ser totalmente zero carbono, a contabilização precisaria ser hora a hora.