Na semana passada, Flávio Bolsonaro (PL) pôs na lapela um broche em forma de tesoura. É um símbolo do "tesouraço", que pode vir a ser um mote da campanha dele, promessa de corte de gasto público, de imposto e de burocracias e intervenções do governo.

A tesoura seria inspirada na motosserra de Javier Milei. Até agora, lembra mais a vassourinha de Jânio Quadros, presidente eleito em 1960 com a promessa de varrer a corrupção, a bandalheira. Jânio renunciou em 1961, em tentativa canhestra de autogolpe. O broche da vassourinha era material de campanha desse outro demagogo de direita.

Milei fez ajuste bárbaro na Argentina. Cortou despesas também reduzindo o valor real de salários de servidores e de benefícios sociais (a inflação comeu o valor desses e de outros pagamentos). No final do primeiro ano inteiro de governo, o corte foi de 15% em Previdência e assistências sociais; nos salários, de 22%.

Flávio anunciou-se candidato em 5 de dezembro do ano passado. Juros e dólar saltaram, o Ibovespa afundou. Donos do dinheiro grosso diziam assim que passavam a esperar derrota da direita para Luiz Inácio Lula da Silva.

O desgosto diminuiu, até porque "não tem tu, vai tu mesmo", como disse alguém que esteve na primeira reunião do candidato com a finança, menos de uma semana depois de Flávio ter sido ungido pelo pai. O candidato então começou a prometer "tesouraço". Mas nega até tesourinha.