Eleições 2026

A campanha presidencial começa no dia 16 na web e 28 na tevê. Flávio Bolsonaro chegará à ela com mais rejeição e menos intenção de voto nas pesquisas, tudo obra da revelação de sua intimidade com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, das maquinações da família a favor do “tarifaço” de Donald Trump e da briga com a madrasta. Derrotar Lula ficou mais difícil, arrastá-lo para a lama tornou-se uma necessidade. Para que o rechaço ao presidente suba, o senador planeja usar na propaganda eleitoral supostos áudios em que uma empresária-lobista encrencada cita Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do petista. Teria munição ainda contra o ex-chefe de gabinete de Lula no Palácio do Planalto, Marco Aurélio Santana Ribeiro, outra figura próxima da lobista. O roteiro de Flávio foi revelado em 31 de julho no ­ex-Twitter por um sujeito que se identifica como “Thom” e tem entre seus seguidores o senador e um blogueiro morador da Austrália, que é uma espécie de porta-voz do clã Bolsonaro nas redes sociais.

Os estratagemas do primogênito de Jair não surpreendem, dado o modus operandi da extrema-direita. Espantosa é a aparente participação de um juiz no script: André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral. Indicado pelo capitão para o STF, Mendonça cuida na Corte das duas­ investigações mais rumorosas do País. Uma é sobre o desconto indevido de aposentadorias pagas pelo INSS. A outra, sobre as falcatruas de Vorcaro e do finado Banco Master. Em ambas, o magistrado deu ordens à Polícia Federal, interferiu no trabalho da corporação. Por meio de aliados que sopram informações à mídia sem terem o nome revelado, constrói a versão de que deseja impedir a PF de direcionar a mira a opositores do governo. A impressão que deixa é a de que ele próprio quer pegar a mira e apontá-la para os adversários do clã que o alçou à mais alta Corte.