Durante sete ou oito meses, a jornalista Adriana Ibba, 39, acordou às 4h30, sem despertador ou alarme de celular, porque seu relógio biológico alertava para o horário de amamentar a filha Liz, de 3 anos. Mas a menina não estava mais lá.
Em 9 de agosto de 2024, Adriana arrumou a filha e a levou para o aeroporto de Cascavel (PR), onde embarcou com o pai, Rafael Fernando dos Santos, para Guarulhos (SP). Depois voariam para Florianópolis, onde passariam o Dia dos Pais.
De mãos dadas com ele, foi a primeira a entrar no avião branco e amarelo prefixo PS-VPB. Cerca de 1h30 depois, a aeronave da Voepass caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo, matando as 62 pessoas a bordo. A criança era a mais nova das vítimas.
Dois anos após uma das maiores tragédias da aviação brasileira, completados neste domingo (9), Adriana ainda lembra da menina puxando a fila de embarque, saltitante e com os cabelos balançando, como mostram imagens de câmeras do aeroporto guardadas pela mãe.
"Tem sido muito difícil, essa dor permanece", afirma Adriana. "Consegui administrar um pouco. Tem dias que estou mais vulnerável, em outros, mais forte. Ela era linda, em pleno desenvolvimento e saudável. Entrou naquela aeronave achando que iria fazer uma viagem confortável e segura."






