Embaixadora da campanha 'Medidas Protetivas Salvam Vidas', cantora destaca a importância da informação e do acesso à rede de apoio antes que a violência se agrave 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Paula Lima explica por que reconhecer sinais de abuso pode salvar vidas — Foto: Divulgação Paula Lima tem usado sua voz para ampliar a conscientização sobre o enfrentamento à violência contra mulheres. Embaixadora da campanha "Medidas Protetivas Salvam Vidas", lançada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) em referência aos 20 anos da Lei Maria da Penha, a cantora chama atenção para a importância de reconhecer os primeiros sinais de abuso e conhecer os caminhos de proteção previstos na legislação. A ação reúne órgãos do sistema de Justiça paulista, como Ministério Público, Defensoria Pública e Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo (OAB-SP). A proposta é ampliar o acesso às informações sobre as medidas protetivas previstas na lei e mostrar que elas podem ser solicitadas ainda nos primeiros episódios de violência, sem que seja necessário esperar por agressões físicas. Para Paula, a Lei Maria da Penha representa uma das maiores conquistas brasileiras no combate à violência de gênero. A artista avalia, no entanto, que ainda é necessário ampliar o conhecimento sobre os direitos garantidos pela legislação e aproximar mais mulheres dos serviços de acolhimento. "A gente acaba achando que nada funciona, mas não. A gente tem hoje um arcabouço jurídico muito forte que faz a diferença na vida de inúmeras mulheres. A Lei Maria da Penha é um marco histórico para o Brasil e para as mulheres. A gente já caminhou muito, mas ainda existe um caminho longo pela frente", afirma. Ao participar da campanha, Paula também chama atenção para situações que muitas vezes passam despercebidas. Segundo ela, a violência doméstica não se resume às agressões físicas e pode envolver aspectos psicológicos, morais, patrimoniais e sexuais. "A gente tem que pensar que a questão do assédio moral, do patrimonial, do sexual e da violência psicológica também configura violência. É muito importante que a gente não pense que isso acontece apenas quando existe uma agressão física. Vai muito além", diz. Paula Lima fala sobre medidas protetivas e combate à violência contra mulheres — Foto: Divulgação A cantora acredita que o acesso ao conhecimento pode ajudar a romper ciclos de abuso e incentivar a busca por ajuda. Segundo ela, o medo e a falta de informação ainda fazem com que muitas vítimas adiem a procura por apoio. "As pessoas ainda têm a impressão de que não é um acesso para todos, que existe uma dificuldade, que você vai ser maltratada numa delegacia. E não. Hoje existem profissionais preparados, psicólogos, advogados e toda uma rede para oferecer acolhimento e fazer com que essa mulher realmente se sinta protegida", acrescenta. Paula lembra que as medidas protetivas podem ser solicitadas assim que surgem os primeiros sinais de violência. "A partir do momento que você se conscientiza sobre a violência que sofre, sobre os primeiros sinais, você não precisa esperar chegar um tapa. O primeiro sinal já é um alerta. Você procura a Defensoria Pública ou uma delegacia especializada, explica o que está acontecendo e pode pedir essa medida protetiva", explica. Neste ano, a Lei Maria da Penha completa 20 anos como um dos principais instrumentos de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil. Além de estabelecer mecanismos de proteção às vítimas, a legislação ampliou a responsabilização dos agressores e ajudou a consolidar uma atuação integrada do sistema de Justiça. Paula ressalta que manter o debate sobre o tema é essencial para que mais mulheres conheçam seus direitos. "A educação e a informação são fundamentais para transformar essa realidade. Quanto mais a gente fala sobre o assunto, mais mulheres entendem que não estão sozinhas e que existe uma rede preparada para acolhê-las", finaliza.