Em tempos de eleições nas ruas e de "Odisseia" nos cinemas, o ministro da Fazenda foi escalado para atrair o mercado com um canto das sereias. Entoando a sexagenária "daqui para frente, tudo vai ser diferente", de Roberto e Erasmo, prometeu um ajuste fiscal que carece de credibilidade e consistência.
A falta de credibilidade se constata em atos e falas das autoridades. O presidente da República acaba de prometer mais gastos fora dos limites do arcabouço fiscal, dessa vez para a área de ciência e tecnologia. Os ministros da Fazenda e Planejamento não perdem oportunidade de declarar que os juros altos não são causados pelo desequilíbrio fiscal.
Publicaram dois documentos frágeis em que tentam provar teses contraditórias: o primeiro estudo defende que as ações eleitoreiras do governo aumentarão a demanda agregada, gerando investimentos, emprego e crescimento; enquanto o segundo diz que as mesmas políticas não impactam a demanda agregada e, por isso, não afetam a inflação.
Nos últimos dias, o governo editou medidas provisórias para capitalizar fundos garantidores de crédito subsidiado, renovar programa de renegociação de dívidas e distribuir dinheiro barato para diversos setores: companhias aéreas, usineiros, exportadores, estudantes do Fies. Também propôs aumento do subsídio aos microempreendedores.










