Para Caiado, a anistia é "uma medida que tem o sentido de pacificar o país". "Isto é uma briga inútil, é uma briga que só traz desgaste. Eu tenho consciência absoluta que eu promover a anistia, este assunto sai da pauta e nós vamos viver um outro momento. Um movimento de produção, de desenvolvimento, de pautas que sejam relevantes para as pessoas", afirmou. O candidato comparou a discussão sobre anistia de condenados pelos atos de 8 de janeiro àquela sobre a soltura do presidente Lula e à recuperação dos direitos políticos do petista em 2021. Lula foi preso em 2018 após condenações por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá. Ele ficou preso por 580 dias e foi solto em novembro de 2019. Em 2021, o STF anulou as condenações da Lava Jato contra o petista, restabeleceu seus direitos políticos e abriu caminho para que ele voltasse à disputa presidencial e se elegesse em 2022. Ronaldo Caiado (PSD) responde sobre anistia “Essa discussão sobre tentativa de golpe é a mesma que eu buscaria sobre soltar o Lula para ser candidato. São duas coisas. Teve uma tentativa de golpe no dia 8 de janeiro? Cada um tem o direito de pensar. E o Lula podia ser liberado e ser candidato com tantas denúncias claras?”, afirmou. Em outro momento, Caiado disse que os dois assuntos precisam ser superados para “pacificar” o país: “Você tem uma pauta, que é a do 8 de janeiro, e tem outra pauta que a sociedade também não aceita: que ele [Lula] foi colocado em liberdade. Esse processo no Brasil precisa ser pacificado. Senão, vai ficar todo dia um contra o outro.” Reformas administrativa e tributária O candidato do PSD disse ainda que pretende encaminhar ao Congresso, já no primeiro dia de governo, propostas de reformas administrativa e política e de revisão de pontos da reforma tributária. “Não vamos mandar tudo de forma fatiada. Eu vou encaminhar tudo. É um momento de urgência. É um momento em que precisamos encarar a vida como ela é, porque o cidadão não está suportando mais”, disse. Sobre a ideia de revisar a reforma tributária, disse: “Eu vou revisar todos esses pontos que hoje estão penalizando a iniciativa privada." O candidato afirmou que quer "rever pontos que são fundamentais para que diminua a burocracia”. Ajuste fiscal Questionado sobre quais medidas adotaria para promover um ajuste fiscal caso seja eleito presidente, Ronaldo Caiado afirmou que pretende fazer cortes administrativos e conter gastos com a máquina pública. Ronaldo Caiado (PSD) responde sobre corte de gastos "Em 2027, imediatamente, eu poderei tomar medidas, primeiro, que eu possa mostrar para a população: 'Agora entrou um homem aí que tem coragem'. Cortar na carne, ou seja, administrativamente", afirmou. Questionado sobre o que cortaria, Caiado evitou detalhar as medidas. "Você quer que eu traga o detalhe aqui do meu ministro?", disse. Perguntado se pretende cortar incentivos fiscais, Caiado afirmou que não poderia dizer onde os cortes seriam feitos. "Eu não posso, neste momento aqui, dizer a você item a item, porque eu não tenho nem ideia de quanto [preciso cortar] para chegar a 6%, chegar a 9% do PIB, só de incentivos." Reforma da Previdência Durante a entrevista, o ex-governador de Goiás colocou entre as suas propostas para ajustes fiscais rever a reforma da Previdência. Ele, no entanto, não detalhou como isso seria feito. "O que nós precisamos na reforma da Previdência, hoje, é discutir a sustentabilidade da Previdência no Brasil", afirmou o candidato, ao citar o envelhecimento da população. O Censo 2022 de divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que o país teve um salto no envelhecimento: são 55 idosos para cada 100 jovens de até 14 anos, número que era de 30,7 idosos para cada 100 jovens. "Quando você pensou a Previdência, você pensou em uma média em termos de 60 anos. Você imaginou de cinco pessoas arrecadando a cada uma [aposentada]. O cenário é outro e você não pode ter uma radiografia de 40 anos atrás para dar o diagnóstico do doente, tem que ter a radiografia de hoje", afirma. Emendas parlamentares Questionado sobre como lidaria com as emendas parlamentares caso seja eleito presidente, Ronaldo Caiado afirmou que governaria "tranquilamente" com elas, mas criticou o atual modelo. Caiado disse que é preciso que o presidente tenha "autoridade moral" para negociar com o Congresso e defendeu que as emendas sejam destinadas a projetos previstos no plano de governo. "É preciso que o cidadão entenda que vai ter de novo um presidente da República que tem autoridade moral e capacidade de negociar esses assuntos", disse. Ao ser questionado se cortaria os cerca de R$ 60 bilhões destinados às emendas, Caiado afirmou que pretende direcionar "100%" dos recursos para obras previstas no plano de governo dele. Questionado sobre o que faria caso os parlamentares não aceitassem esse direcionamento, Caiado disse que não se pode "menosprezar" o peso da Presidência da República. Questionado sobre o uso de câmeras corporais por policiais militares, Ronaldo Caiado se posicionou contra a ideia. Ele diz que o equipamento inibe a atividade policial. Combate ao crime organizado Ronaldo Caiado afirmou que, caso seja eleito presidente, pretende classificar o crime organizado como "terrorismo doméstico" já no primeiro dia de governo para permitir a atuação das Forças Armadas no combate às facções criminosas. "As Forças Armadas vão entrar, mas não é para prender. Exército e Marinha não entram para prender, entram para resolver", afirmou. Questionado sobre o que significaria "resolver", Caiado disse que o objetivo seria "reocupar o território". "Resolver é reocupar o território. Quem reagir sabe que está reagindo contra as Forças Armadas e contra as polícias de segurança", disse. Caiado afirmou que a medida permitiria utilizar Aeronáutica, Marinha e Exército, principalmente na região amazônica. Questionado se seria necessário aprovar uma lei para permitir essa atuação das Forças Armadas, Caiado respondeu: "Exatamente." No decorrer da entrevista, Caiado insistiu na importância de “resgatar o patrimônio territorial” do Brasil e “reocupar” o território do país. Falando sobre segurança pública, citou o Rio de Janeiro e falou sobre a dificuldade de transitar no estado. O candidato reagiu a um vídeo dele exibido durante a entrevista, em que fala sobre as polícias brasileiras. “Polícia Militar, Polícia Civil é feita para prender. Polícia do Exército é feita para reocupar o território”, dizia na gravação. 'Mexicanização' do Brasil Ronaldo Caiado afirmou que o Brasil caminha para a “mexicanização”. A declaração foi dada ao defender que organizações ligadas ao narcotráfico sejam classificadas como terroristas, o que permitiria o emprego das Forças Armadas. “Ou, se nós não tomarmos uma medida como essa, o Brasil vai para a mexicanização. Já está, em grande parte”, disse. Na sequência, Caiado explicou que usa o termo para se referir ao avanço do narcotráfico sobre a economia formal e os poderes públicos, inclusive por meio da eleição de representantes pelas regras democráticas. “A mexicanização hoje é essa realidade: o narcotráfico já toma conta da economia formal, está tomando conta dos poderes e elegendo pelas regras democráticas. E o Brasil passa a ser um narcoestado”, afirmou. Polícia da América do Sul Ao tratar de combate ao crime organizado, Caiado afirma que pretende propor a criação de uma polícia para os países da América do Sul como forma de atingir as facções criminosas internacionais. "São dez países que compõem a fronteira com o Brasil. Esses dez países eu os procurarei para nós montarmos da mesma maneira que a Europa desenvolveu uma polícia que transita entre todos", disse. "É a mesma coisa que a Europa fez. Eu não estou inventando a roda. É a mesma coisa que ela fez, tá certo? Uma polícia europeia que não tem fronteira. Eu quero criar essa polícia na América do Sul." Segundo o candidato, o comando dessa corporação seria revezado com eleições entre os países e que tentará ser o primeiro comandante. Caiado diz que ainda não tratou do assunto com nenhum outro país, mas que o fará assim que assumir a Presidência, se eleito. Câmeras corporais para policiais Questionado sobre o uso de câmeras corporais por policiais militares, Ronaldo Caiado se posicionou contra a medida. O cadidatos disse que o equipamento inibe a atividade policial. "Em vez de ela dar liberdade para o polícia ir para o confronto com o bandido, ele prefere se resguardar", afirma o ex-governador de Goiás, ao citar que o profissional de segurança prefere não agir para evitar eventuais punições. "Alguém que está numa sala refrigerada, em um ambiente pacífico, vai chegar e dizer: 'Teve uma agressão, ele não poderia agir desse jeito. A câmera mostrou que ele teve uma iniciativa, deveria ter falado 'mãos ao alto'. A pessoa tem que entender que estamos em uma guerra, hoje". Caiado citou a realidade da segurança pública, com roubos de alianças, celulares e carros, para defender a tese de "guerra". “Infelizmente, eu não cheguei à Suíça. Quero chegar lá. Mas hoje estou em um país em estado de guerra. É isso que nós temos que entender. Então, isso aí na Suíça é lindo. Na Suécia é lindo, na Noruega é lindo, na Dinamarca também”, disse. “Agora, nós temos que entender que você não sobe a Favela da Maré, que você não sobe aqui o Morro do Borel e que os cidadãos que estão lá estão 100% sequestrados por aquela autoridade que é do narcotráfico." Segurança pública em Goiás Durante a entrevista, Ronaldo Caiado defendeu que os indicadores de violência do estado de Goiás deveriam ser confrontados com os da Bahia. Ao abordar o tema, o candidato citou números de homicídios no estado baiano e fez críticas ao período em que o PT está à frente do governo estadual. “Por que comparar com São Paulo? Por que nós não comparamos Goiás com a Bahia? Porque, na Bahia, se mataram 60 mil jovens em apenas 17 anos. Os dados da Bahia são terríveis”, afirmou Caiado. O estado de São Paulo tem um dos índices de homicídios a cada 100 mil habitantes mais baixos do Brasil, ao lado de Santa Catarina. Já a Bahia está entre os estados com maiores taxas de homicídios no país. Entrevista com presidenciáveis A entrevista de Ronaldo Caiado é conduzida pelas jornalistas Andréia Sadi e Natuza Nery nos novos estúdios da GloboNews, no Rio de Janeiro e terá duração aproximada de uma hora e meia. O g1 e a GloboNews transmitem ao vivo e simultaneamente. Clique aqui para acessar a página de transmissão do g1. A sabatina também é transmitida no YouTube e no TikTok do g1. Após a exibição, o conteúdo completo ficará disponível em vídeo no g1 e em áudio no podcast O Assunto. O primeiro entrevistado foi Renan Santos, do Missão, nesta quarta-feira (5). Romeu Zema, do Novo, participou nesta quinta-feira (6). O presidente Lula, que havia sido sorteado para a terça-feira (4), decidiu não participar. Um sorteio realizado no dia 27 de julho, com a participação de representantes das campanhas, definiu a seguinte ordem: terça-feira (4): Lula (PT) – a assessoria do presidente informou que ele não compareceria.quarta-feira (5): Renan Santos (Missão) – participou na quarta (5), veja como foi. quinta-feira (6): Romeu Zema (Novo) – participou na quinta(6), veja como foi.sexta-feira (7): Ronaldo Caiado (PSD) – confirmou presença.segunda-feira (10): Flávio Bolsonaro (PL) – ainda não confirmou presença. O 1º turno das eleições ocorre no dia 4 de outubro. Agora no g1 Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos — Foto: Ricardo Stuckert, Raul Spinassé, Cristiano Borges, Karoline Barreto e Reprodução