Ex-governador de Goiás prometeu a criação de uma polícia transnacional, que circularia livremente no território nacional e nos outros nove países que fazem fronteira com o Brasil; candidato é sabatinado pela GloboNews e pelo g1 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ronaldo Caiado (PSD) é entrevistado pela GloboNews e pelo g1 — Foto: Globo/João Cotta Candidato à presidência da República pelo PSD, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado defendeu a anistia para os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 para “pacificar” o Brasil e que vai pautar esse projeto, assim como a reforma administrativa, no primeiro dia de mandato. Em sabatina realizada pela GloboNews e pelo g1, ele afirmou que no momento em que essas pessoas forem anistiadas, “esse assunto sai da pauta” e não respondeu se considera ou não que as ações configuraram uma tentativa de golpe de Estado. — Essa medida (anistia) não estará sozinha, estará junto a dezenas de medidas que tomarei, como várias reformas que trarei no meu primeiro dia. Essa medida tem o sentido de pacificar o país, nós não podemos mais conviver com o que estamos vivendo, é impossível hoje. É uma briga inútil, que só traz desgastes. Eu tenho a consciência de que no momento em que eu promover a anistia, esse assunto sai da pauta e vamos viver um outro momento, de pautas que sejam relevantes para as pessoas — falou. Segundo Caiado, serão encaminhadas como primeiros atos de governo várias reformas, como a administrativa e uma revisão da Reforma da Previdência aprovada durante o atual governo. — Eu tenho anistia, (lei) antiterrorismo, reforma administrativa, reforma política, revisão de pontos da reforma tributária, eu vou trabalhar do dia 25 de outubro até o dia 1 com toda a equipe que estou montando para ter tudo isso para encaminhar no primeiro dia. Não é aquilo de matéria fatiada, não, eu vou mandar tudo — acrescentou. Indagado pelas jornalistas Natuza Nery e Andrea Sadi se considera que foi uma tentativa de golpe de Estado, Caiado evitou responder e comparou o caso com a anulação das condenações do presidente Lula (PT). — Essa discussão da tentativa de golpe, é a mesma que eu teria se realmente teve uma tentativa de golpe ao soltar o Lula. Teve uma tentativa de golpe em 8 de janeiro? O Lula poderia ser liberado e ser candidato com tantas denúncias claras de assalto a tanto dinheiro? — disse. Ele ainda disse que, a partir da anistia, “as pessoas vão saber que não tem mais espaço para esse tipo de ação” e afirmou que houve outros atos de “quebradeira” em Brasília. — Você não viu o MST entrar dentro do plenário? Nós não vimos (eles) destruirem empresas no Brasil todo? E nada aconteceu. Quantas vezes aquele busto do Ulysses Guimarães foi tombado? A lei de agora para frente é um novo momento. O Caiado no governo, a partir dali, as pessoas vão saber que não tem espaço para esse tipo de ação – acrescentou. Segurança pública Caiado prometeu criar uma "polícia transnacional" com dez países que fazem fronteira com o país, na qual os agentes poderiam circular livremente entre os países. Ele disse que ainda não conversou sobre isso com nenhum outro presidente, porém, e que fará isso a partir de sua posse. — Como presidente, eu vou fazer um périplo pelos países limítrofes com o Brasil, o mesmo que a Europa fez, a polícia europeia não tem fronteira, eu quero criar essa polícia na América do Sul. Eu quero ter uma polícia que possa transitar. Vou criar uma nova polícia. Entre esses países e o Brasil, para que nós tenhamos um sistema de inteligência, com dados fornecidos. Esses dez países eu os procurarei — falou. — Não é a Polícia Federal, eu estou criando uma polícia em parceria com dez países, que essa polícia tenha livre trânsito nós no nosso país e eles nos países dele. Eu não pude fazer (isso ainda) porque não cheguei à presidência, mas eu fiz com os governadores limítrofes. Se a Europa deu conta e eles têm um sistema totalmente restrito, qual o mal que se produz lá para continuar uma operação e um policial deles entrar aqui para continuar uma operação? Isso não fere a soberania — disse. Uma das principais bandeiras de Caiado são medidas mais duras na segurança pública,. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ocorreram cerca de 3 mil mortes decorrentes de ações policiais em Goiás durante a gestão do candidato, e no estado os agentes não usam câmeras corporais. Caiado se disse contra a medida e que discorda do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que mudou de ideia e hoje defende as bodycams nos PMs. — Sem ela (a câmera), você dá liberdade para o policial ir ao confronto com o bandido, ele prefere se resguardar. As pessoas têm que entender que nós estamos numa guerra hoje. É guerra. O PCC e o Comando Vermelho tem mais de 100 mil pessoas – disse, acrescentando que os dados de São Paulo, onde as câmeras corporais são usadas e mesmo assim houve redução nos índices criminais, “não refletem a realidade”. — Esse dado aí reflete a realidade? Você anda lá com laptop, com pulseira? Isso não reproduz a realidade. A pessoa pode escrever o que quiser — disse. Cortes de gastos e emendas Caiado falou na necessidade de cortar gastos caso seja eleito presidente, mas não detalhou quais cortes irá fazer e nem em que pontos específicos pretende alterar a Previdência Social, por exemplo. O goiano disse que o reequilíbrio fiscal não depende de cortes de benefícios sociais e usou exemplos de sua gestão em Goiás como credenciais. — Eu peguei essa mesma situação (de crise fiscal) em Goiás e eu promovi uma grande reforma administrativa, eu cortei incentivos fiscais, mais de R$ 3 milhões no estado de Goiás, eu fiz uma reforma da previdência em Goiás. Eu pratiquei no meu mandato, isso me credencia para buscar as melhores cabeças e discutir no meu governo. O equilíbrio fiscal não briga de maneira alguma com as políticas sociais — falou. O candidato também afirmou que vai impor um limite para as emendas impositivas do Senado e da Câmara dos Deputados, que neste ano, segundo o orçamento, somam mais de R$ 60 bilhões. O representante do PSD lembrou que isso não ocorria quando ele era senador e deputado federal, e que esse aumento no poder do Legislativo é sinal de uma "desestruturação do presidencialismo no Brasil". — Você tem uma desordem institucional completa. Eu não posso ter 594 planos de governo. Se a área de saúde vamos fazer regionalização da saúde atendendo um milhão e meio de pessoas em determinada circunferência, você quer colocar sua emenda? Está aqui. Agora, para ir para ONG e para ir para onde acha que deve ir, não tem como — falou. — (Eu vou) direcionar 100% nas obras de governo no meu plano de governo eleito pela população. Não tem como, não pode menosprezar o peso da cadeira do presidente da República. Vou falar "nós estamos num momento de pacificação do país, vamos anistia, pacificar, parar de briga, porque eu não estou aqui para desacatar ninguém, eu estou aqui para governar e responder para as pessoas que esperam de um presidente da República". A série de sabatinas começou na quarta-feira, e foram convidados os cinco primeiros colocados na pesquisa Datafolha divulgada no dia 24 de julho. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos. Já foram entrevistados Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Nova) e, na segunda, será entrevistado Flávio Bolsonaro (PL). O presidente Lula não irá comparecer.