Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, a expectativa é de um fim de ano mais desafiador caso não haja uma redução mais significativa da Selic 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Produção brasileira avançou 8,8% no primeiro semestre, ante alta de 14,5% registrada pela Índia — Foto: Tuane Fernandes/Bloomberg O Brasil se consolidou como o segundo país com maior crescimento na produção global de veículos no acumulado de 2026, atrás apenas da Índia. Mas o desempenho positivo convive com preocupações da indústria sobre o avanço das importações, especialmente de veículos eletrificados, e os efeitos dos juros elevados no mercado interno. Segundo balanço divulgado, nesta sexta-feira (7), pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção brasileira avançou 8,8% no primeiro semestre, ante alta de 14,5% registrada pela Índia. No acumulado de janeiro a julho, o crescimento da produção nacional foi de 8,3%. Em julho, a indústria produziu 253,9 mil autoveículos, alta de 3,1% em relação a junho e de 5,9% na comparação com o mesmo mês de 2025. As vendas também tiveram o melhor desempenho mensal do ano, com 279,5 mil unidades emplacadas, levando o acumulado de 2026 para mais de 1,7 milhão de veículos. O resultado coloca o Brasil à frente de outros grandes mercados, como Japão, que registrou crescimento de 2,9%, e contrasta com as retrações observadas na China (-4%) e nos Estados Unidos (-11,7%) no primeiro semestre. Apesar dos números positivos, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, destacou que a expansão das vendas de veículos eletrificados tem sido acompanhada pelo aumento das importações. Híbridos e elétricos alcançaram participação recorde de 23,5% nas vendas de veículos leves no país, com crescimento acumulado de 120,8% no ano. Esse avanço, porém, ocorre principalmente por meio de modelos produzidos no exterior. As importações cresceram 25,7% entre janeiro e julho, somando 344,1 mil unidades. Os veículos vindos da China mais que dobraram no período, com alta de 105,4%. Segundo Calvet, o volume importado já supera a produção individual da maioria das fábricas instaladas no Brasil e representa um desafio para a cadeia automotiva local, principalmente diante da transição tecnológica do setor. “Não podemos criar uma vantagem permanente para a importação ou para montagens de baixa agregação local”, afirmou o executivo, durante a apresentação dos dados, nesta sexta-feira (7). Para ele, existe um descompasso entre a velocidade de entrada dos veículos estrangeiros e o tempo necessário para desenvolver uma produção local de novas tecnologias. O impacto aparece também nos estoques. Enquanto os veículos nacionais têm giro médio de 21 dias, os importados acumulam 142 dias de estoque nos pátios. Veículos pesados No segmento de veículos pesados, os caminhões apresentaram recuperação e registraram o melhor mês do ano, com 11,7 mil unidades emplacadas em julho. O desempenho foi impulsionado pelas linhas de financiamento do programa federal Move Brasil. Calvet estima que a iniciativa poderá acrescentar até 15 mil unidades ao mercado no segundo semestre. O executivo, contudo, afirmou que ainda há dificuldades no acesso ao crédito para caminhoneiros autônomos, grupo que concentra uma das frotas mais antigas do país. Segundo ele, a burocracia e o rigor das instituições financeiras na análise de risco têm limitado a renovação desses veículos. Já o segmento de ônibus segue pressionado, com queda acumulada de 10,7% no ano, em meio aos atrasos relacionados ao programa Caminho da Escola. A expectativa da indústria é que a feira Lat.Bus, que será realizada na próxima semana em São Paulo, ajude a destravar novos negócios e a renovação das frotas. No mercado externo, as exportações continuam como principal ponto de atenção. Os embarques acumulam queda de 20,8% em 2026, pressionados principalmente pela redução de 35,4% nas vendas para a Argentina, principal destino dos veículos brasileiros. Para reduzir a dependência do mercado argentino, a Anfavea prepara uma missão comercial à Colômbia em setembro. O cenário de juros também entrou na avaliação da entidade. Calvet criticou o nível da taxa básica, atualmente em 14%, e afirmou que os juros ao consumidor, que chegam a 28%, somados ao endividamento das famílias, podem limitar o desempenho do setor nos próximos meses. Segundo ele, a expectativa é de um fim de ano mais desafiador caso não haja uma redução mais significativa da Selic. “Com o endividamento alto e a inadimplência subindo, poderemos ter uma retração de crédito que afetará diretamente o mercado”, disse.
Brasil mantém 2ª maior alta global na produção de veículos, mas Anfavea alerta para importados e juros
Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, a expectativa é de um fim de ano mais desafiador caso não haja uma redução mais significativa da Selic










