Alerta foi dado pela Anfavea, que representa as indústrias do setor no país, na divulgação dos resultados do primeiro semestre deste ano Anfavea atualizou para 3 milhões de unidades a projeção de vendas neste ano, maior nível desde 2014 — Foto: Tuane Fernandes/Bloomberg Depois de revisar para cima as projeções de venda e de produção deste ano, fabricantes de veículos automotores no Brasil seguem com uma preocupação: o avanço acelerado de regimes de montagem com peças importadas. O alerta foi dado pela Anfavea, associação que representa as indústrias do setor no país, na divulgação dos resultados do primeiro semestre deste ano, na terça-feira (7). No centro do debate, estão o regime SKD — no qual o veículo chega ao país praticamente montado, mas recebe localmente acabamentos finais, como a instalação de pneus — e o CKD, no qual o carro chega totalmente desmontado em kits de componentes ou peças avulsas para ser montado localmente. Os dois regimes ganharam força no último ano. Segundo a entidade, esses modelos de produção representaram 2,5% da produção total no país em janeiro, mas, no mês passado, somaram 13 mil unidades, ou 5,3% do todo. No segmento de eletrificados, mais da metade da produção nacional dos primeiros seis meses do ano, ou 54 mil do total de 100 mil unidades, foi montada sob os regimes CKD e SKD. “Não adianta ter indicativo de que temos que caminhar para uma produção sofisticada e completa e, ao mesmo tempo, ter incentivos para fazer outra coisa”, disse Igor Calvet, presidente da Anfavea, no evento que atualizou para três milhões de unidades a projeção de vendas do setor neste ano, maior patamar desde 2014. Ele disse que a entidade não se opõe à chegada de novas tecnologias, como de veículos elétricos e híbridos, mas questiona incentivos dados a montagens simplificadas. No mês passado, o governo federal renovou por seis meses as cotas de importação com alíquota zero para veículos eletrificados desmontados (CKD) e semi desmontados (SKD). Elas somam US$ 463 milhões em importação com alíquota zero. Como mostrou o Valor, a entidade decidiu não judicializar a medida, mas irá questionar no Tribunal de Contas da União (TCU) a falta de transparência e o rito de governança que permitiu a medida. “Entendemos que não houve discussão prévia do tema, e que o contraditório não aconteceu”, acrescentou o dirigente. No cálculo da entidade, a fabricação completa no país emprega, em média, dez trabalhadores, enquanto a produção sob os dois regimes responde por cerca de três. “Se virássemos a chave da noite para o dia e todo mundo começasse a produzir nesses novos regimes, perderíamos 70% dos empregos diretos no setor automotivo”, afirmou Calvet.
Fabricantes alertam para avanço rápido da montagem de veículos com peças importadas
Alerta foi dado pela Anfavea, que representa as indústrias do setor no país, na divulgação dos resultados do primeiro semestre deste ano












