A entidade calculou as novas projeções com base em expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,1% e da expansão de 12,5% para o mercado de crédito neste ano Os fabricantes de veículos no Brasil aumentaram a projeção de vendas para 2026 de alta de 2,7% para 12,1%, o que representa mais de 3 milhões de unidades, patamar alcançado pela última vez em 2014. O dado foi apresentado nesta terça-feira (7) pela Anfavea, entidade que representa os fabricantes. A entidade calculou as novas projeções com base em expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,1% e da expansão de 12,5% para o mercado de crédito neste ano. “Continuamos com um ciclo de alta taxa de juros, mas também de medidas de estímulo de crédito do governo”, disse Igor Calvet, presidente da entidade. A projeção para a produção total de veículos no país também foi revisada para cima, de 3,7% para alta de 5,8%, totalizando 2,79 milhões de veículos. A atualização ocorre após a divulgação do balanço de vendas do primeiro semestre. Naquele período, as vendas de veículos acumularam alta de 18,5%, somando 1,42 milhão unidades, ante o mesmo período do ano passado. No mesmo intervalo, foram produzidos 1,37 milhão de veículos, alta de 8,8%, melhor resultado desde 2019, período pré-pandemia. Segundo o dirigente, a venda de veículos leves impulsionou as revisões, enquanto a de pesados, que engloba também caminhões, deve ter queda ainda maior de 6%, contra o recuo de 0,5% previsto anteriormente. No acumulado do semestre, o emplacamento de caminhões somou 49 mil unidades, recuo de 10,5%. “Junho foi o primeiro mês desde março de 2025 no qual o comparativo de junho com o mesmo mês do ano anterior foi positivo para caminhões [alta de 14,7%]. O programa tem diminuído as quedas, mas o que estava muito ruim continua ruim”, disse Calvet, referindo-se ao Move Brasil, lançado para estimular a renovação da frota brasileira de caminhões. O patamar elevado da taxa básica de juros, apesar do início dos cortes, e o aumento de custos, com a subida no preço do diesel, disse, influenciam o ritmo da recuperação. Exportações em queda Apesar das revisões de altas para vendas e produção, a entidade atualizou para baixo a projeção de exportação. Antes, previa alta de 1,3%, mas agora estima queda de 12,8%, somando 462 mil. No primeiro semestre deste ano, as exportações somaram 216,6 mil unidades, queda de 21,2%. Segundo a Anfavea, a Argentina pressiona negativamente os embarques. Os embarques brasileiros para aquele país caíram 35,4% no período, para 106 mil unidades. “O mercado argentino está com menor demanda, e esse processo tem a ver também com novos entrantes naquele mercado”, disse. As importações caminham na contramão. Nos primeiros seis meses, avançaram 22,8% e somaram 280,6 mil unidades, o equivalente a 19,7% do que foi emplacado no país. A entidade disse que metade dos embarques tiveram a China como origem. As importações daquele país quase dobraram no período, para 140,8 mil unidades. “Estamos importando mais e exportando menos. E, quando a China cresce, cresce também a presença de eletrificados dentro do país. Mas o que mais chama a atenção é a velocidade com que isso acontece”, afirmou Calvet. Mercado em junho Em junho, os emplacamentos somaram 272,5 mil veículos, alta de 28% e no período foram montados 246 mil automóveis, alta de 17,2% na comparação anual. “Temos visto um crescimento bastante robusto do mercado brasileiro, que vem acontecendo desde pelo menos os últimos três meses”, disse Calvet. Segundo o dirigente, a participação de eletrificados nas vendas também bateu recorde naquele mês e alcançou 20,9% do total de emplacamentos. — Foto: Shinji Kita/Kyodo News via AP