Puxado pela demanda de automóveis e comerciais leves, o ritmo de vendas de veículos novos continua acelerado. Com crescimento de 21,7% em relação a maio de 2025, a venda somou 274,7 mil unidades no mês este ano. No acumulado dos cinco primeiros meses, a alta de 16,4% (1,14 milhão de unidades) foi atribuída pelo setor aos bons resultados do programa de incentivo do governo para carros compactos, o chamado Carro Sustentável, que oferece juros subsidiados, e também ao avanço da eletrificação. Neste mês, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) não fez sua tradicional entrevista coletiva para comentar os resultados. Mas, por meio de nota, a entidade demonstrou preocupação em relação aos juros e à expectativa de a redução da taxa Selic ficar abaixo do esperado. Para os dirigentes da Anfavea, a elevação no preço do petróleo também traz impacto para toda a cadeia produtiva. Por enquanto, porém, a força do mercado interno garante bom ritmo na produção. Em maio, foram produzidos 253,6 mil veículos, alta de 15,2% em relação ao mesmo mês de 2025 e melhor resultado para o mês desde 2019. No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, o total de 1,126 milhão de unidades produzidas representou alta de 7,1%. Com esse ritmo, a indústria elevou o número de empregos em 3,9% em 12 meses, para 113,7 mil funcionários. Apesar disso, o setor continua sofrendo a pressão dos produtos importados. A venda de carros vindos do exterior cresceu 17,4% de janeiro a maio, com destaque para os produtos chineses, que alcançaram avanço de 86,6%. O resultado da produção não foi melhor também porque a indústria de caminhões e ônibus continua em crise, com quedas de 15,1% e 16,3%, respectivamente, nas vendas acumuladas até maio em relação ao mesmo período do ano passado. A demanda não aumentou mesmo com o programa governamental de incentivo ao financiamento. Mas, segundo a Anfavea, a expectativa é otimista em relação à segunda fase do programa. A exportação também continua sendo um dos maiores problemas para o setor, com queda de 33,2% nos embarques dos cinco primeiros meses para a Argentina, principal mercado externo. A exportação no acumulado de 2026 somou 179,9 mil veículos, queda de 20% ante 2025. Consequentemente, a receita com vendas externas recuou 24,1%, para US$ 4,3 bilhões.