Emplacamentos chegaram a 279,5 mil unidades no mês e acumulam alta de 17,9% em 2026. Importados ganham espaço, enquanto vendas de caminhões e ônibus ainda ficam abaixo do ano passado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Produção de veículos em fábrica no Brasil: setor registrou crescimento dos emplacamentos e da fabricação em julho, segundo a Anfavea — Foto: Marcelo Theobald O mercado brasileiro de veículos manteve o ritmo de expansão em julho, impulsionado principalmente pelos automóveis e pelo aumento das importações. Foram emplacados 279,5 mil autoveículos novos no mês, crescimento de 14,9% em relação a julho de 2025 e de 2,6% na comparação com junho. Os dados constam da Carta da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). De janeiro a julho, os emplacamentos alcançaram 1,7 milhão de unidades, alta de 17,9% sobre o mesmo período do ano passado, quando haviam somado 1,44 milhão. O avanço foi puxado pelos veículos leves, especialmente automóveis, mas convive com resultados mais fracos nos segmentos de caminhões e ônibus. A produção também avançou. As montadoras fabricaram 253,9 mil veículos em julho, 5,9% acima do registrado no mês de 2025 e 3,1% a mais que em junho. No acumulado do ano, saíram das fábricas 1,63 milhão de unidades, crescimento de 8,3%. Na direção contrária, as exportações seguem pressionadas. Os embarques somaram 39,3 mil veículos em julho, alta de 6,8% ante junho, mas queda de 18,4% na comparação anual. Nos sete primeiros meses de 2026, foram exportadas 255,9 mil unidades, 20,8% menos que as 323 mil registradas no mesmo intervalo de 2025. Automóveis puxam avanço Entre os segmentos, os automóveis tiveram o crescimento mais expressivo no mercado interno. Foram emplacadas 212,8 mil unidades em junho, praticamente estáveis em relação a junho, com recuo de 0,1%, mas 17% acima do volume de julho do ano passado. No acumulado de janeiro a julho, as vendas de automóveis chegaram a 1,3 milhão de unidades, expansão de 22,5%. A produção do segmento cresceu 11,1%, para 1,25 milhão de veículos. O desempenho mostra que as vendas estão crescendo em ritmo superior ao da fabricação nacional. A diferença é explicada, em parte, pelo avanço dos veículos importados. Os comerciais leves, que incluem picapes e vans, também apresentaram resultado positivo. Os emplacamentos chegaram a 52,9 mil unidades em julho, altas de 11,2% na margem e de 9,2% em um ano. No acumulado de 2026, foram vendidas 327,2 mil unidades, crescimento de 8,3%. A produção de comerciais leves, porém, caiu 2,9% ante junho, para 43,4 mil unidades. Em relação a julho de 2025, houve alta de 6,9%. No ano, o avanço é mais moderado, de 3,6%. Importados já representam quase 23% do mercado De janeiro a julho, foram vendidos 344,1 mil veículos importados, aumento de 25,7% na comparação anual. Com isso, a participação dos importados no total de emplacamentos subiu para 22,7% em julho, ante 18,6% um ano antes. No acumulado do ano, os importados respondem por 20,2% das vendas, acima dos 18,5% observados em todo o ano de 2025 e dos 17,7% registrados em 2024. O movimento foi ainda mais intenso entre os automóveis. Foram emplacados 50,8 mil carros importados em julho, aumento de 57,6% em um ano. No acumulado, as vendas chegaram a 258,4 mil unidades, alta de 34,4%. Já os veículos produzidos no Brasil somaram 216,1 mil emplacamentos no mês, com altas de 0,6% sobre junho e de 9,1% em relação a julho do ano passado. De janeiro a julho, foram 1,36 milhão, crescimento de 16%. Os números indicam que, embora os modelos nacionais ainda representem a maior parte do mercado, os importados vêm crescendo com mais velocidade. Caminhões reagem em julho, mas acumulado segue negativo O mercado de caminhões apresentou recuperação no mês. Foram emplacadas 11,7 mil unidades em julho, 19,4% acima de junho e 10% superiores às de julho de 2025. A melhora mensal, entretanto, não foi suficiente para reverter o resultado negativo do ano. Entre janeiro e julho, os emplacamentos totalizaram 60,6 mil caminhões, queda de 7,2%. A produção teve comportamento semelhante. Foram fabricadas 12,1 mil unidades em julho, aumento de 11,2% ante junho e estabilidade, com alta de apenas 0,4%, na comparação anual. No acumulado, a fabricação caiu 12,1%, para 68,9 mil unidades. Os caminhões pesados, maior faixa da categoria, tiveram 5.446 emplacamentos no mês, com altas de 20,6% sobre junho e de 18,2% em um ano. No acumulado, contudo, as vendas caíram 10,3%, para 26,3 mil unidades. A produção de pesados apresenta retração ainda maior no ano, de 20,8%. Os caminhões médios destoaram do restante do segmento. Os emplacamentos cresceram 23,6% no acumulado, enquanto a produção avançou 17,5%. Ônibus têm queda nas vendas e na produção O segmento de ônibus continua apresentando resultados mais fracos. Foram emplacadas 2.233 unidades em julho, alta de 1,9% ante junho, mas queda de 6,2% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado, os emplacamentos recuaram 10,7%, para 12.521 unidades. A produção caiu 26,1% na comparação anual de julho e 3,1% nos sete primeiros meses do ano. A fabricação de ônibus urbanos acumulou leve crescimento de 0,3% em 2026, para 15,2 mil unidades. Já a produção de ônibus rodoviários caiu 17,7%, para 2.864 veículos. Exportações caem em quase todos os segmentos Apesar da recuperação mensal, as exportações continuam abaixo dos níveis registrados no ano passado. Os embarques de automóveis somaram 29,7 mil unidades em julho, 11,6% acima de junho, mas 19,3% menores que os de julho de 2025. De janeiro a julho, foram exportados 192,1 mil automóveis, redução de 21,6%. Nos comerciais leves, o volume acumulado caiu 17,8%, para 47,6 mil unidades. Os embarques de caminhões recuaram 16,5% no ano, para 13,5 mil unidades, enquanto os de ônibus tiveram retração de 30,6%, para 2.680 unidades. Em valores, as exportações das empresas associadas à Anfavea — dado que também inclui veículos desmontados, motores e componentes — somaram US$ 6,45 bilhões no acumulado informado pelo documento, queda de 22,6% em relação ao ano passado. No mês mais recente, a receita alcançou US$ 1,04 bilhão, 17,8% abaixo da registrada um ano antes. As exportações de veículos desmontados, conhecidos como CKD, também diminuíram. Foram embarcadas 4.804 unidades entre janeiro e julho, contra 6.190 no mesmo intervalo de 2025, uma queda calculada de aproximadamente 22,4%. Emprego cai na margem, mas cresce em um ano As montadoras encerraram julho com 114.014 trabalhadores empregados. O número representa redução de 0,4% em relação a junho, quando o setor mantinha 114.527 postos. Na comparação com julho do ano passado, entretanto, houve crescimento de 4,3%, equivalente a cerca de 4,7 mil vagas adicionais. O nível de emprego também permanece acima do registrado no início de 2026, quando as fabricantes contabilizavam aproximadamente 110,4 mil trabalhadores. Os dados mensais mais recentes são considerados preliminares e podem ser revisados pela Anfavea.