Vendas para os EUA sobem apesar de tarifas do Trump. Remessas de produtos chineses para a União Europeia continuaram a crescer 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Exportações e importações da China dispararam em julho — Foto: Bloomberg As exportações e importações da China conseguiram superar os transtornos provocados pelas condições climáticas extremas em julho, à medida que um superciclo global de investimentos em inteligência artificial impulsiona a demanda por produtos tecnológicos tanto no exterior quanto no mercado doméstico. Os embarques ao exterior cresceram 23,9% em relação ao ano anterior, acima das expectativas dos analistas, marcando o segundo mês consecutivo de expansão superior a 20%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pela Administração Geral das Alfândegas da China. As importações, por sua vez, avançaram 27,5%, resultando em um superávit comercial de US$ 112,5 bilhões e colocando o país no caminho para superar o recorde registrado no ano passado. Para os Estados Unidos, as exportações da China aumentaram 17% em relação ao ano anterior, acelerando em comparação com os cerca de 14% registrados em junho, e as importações aumentaram 15%, segundo os dados oficiais, enquanto os dois gigantes continuam envolvidos em uma guerra comercial, apesar dos esforços para aliviar as tensões. No caso da União Europeia, as vendas chinesas continuaram a crescer, com uma expansão de 16% em termos anuais em julho, ao passo que as importações provenientes do bloco recuaram 1%. Embora as tensões com os principais parceiros comerciais tenham aumentado, o superávit comercial da China com a União Europeia continuou avançando, atingindo um novo recorde de US$ 33,8 bilhões em julho. O crescente domínio das empresas chinesas ao longo da cadeia global de valor também tem aumentado as tensões com a Europa e os Estados Unidos, especialmente em setores como a indústria automobilística e, mais recentemente, a produção de equipamentos para centros de dados. Superávit comercial histórico A segunda maior economia do mundo alcançou no ano passado um superávit comercial histórico de quase US$ 1,2 trilhão (US$ 6,1 trilhões, na cotação atual), o que ajudou seu setor industrial a superar uma prolongada queda no consumo interno. “O desempenho robusto ocorreu apesar das interrupções nos principais portos provocadas por tufões”, escreveram analistas do Barclays, liderados por Yingke Zhou, em relatório. “As exportações ligadas à inteligência artificial e às tecnologias verdes continuam sendo beneficiadas pelo ciclo global de investimentos em IA e pela transição energética. Por outro lado, a fraqueza das exportações intensivas em mão de obra segue pressionando o mercado de trabalho e o consumo.” Depois de absorver os impactos das tarifas impostas por Donald Trump e da guerra no Oriente Médio, o país atravessa agora um período de chuvas intensas. O tufão Bavi tornou-se a tempestade mais forte a atingir a província de Zhejiang em quase oito décadas, levando alguns dos portos mais movimentados do país a suspender temporariamente suas operações. As exportações em forte alta de produtos eletrônicos ligados à inteligência artificial, bem como de outros bens de tecnologia de ponta, como veículos elétricos, têm amortecido uma desaceleração mais intensa da economia neste ano. Ao mesmo tempo, o boom do comércio exterior está ampliando uma divisão persistente dentro da economia chinesa e reduzindo a necessidade de as autoridades intensificarem o apoio ao consumo doméstico, apesar da fraqueza da demanda interna. — As exportações continuam sendo o principal motor do crescimento — afirmou Lynn Song, economista-chefe para a Grande China do ING Bank, em Hong Kong. "Os dados do comércio exterior da China continuam mostrando uma divisão cada vez maior entre a velha e a nova economia. O crescimento robusto das importações e exportações em julho demonstrou a força da indústria ligada à tecnologia, enquanto as exportações de produtos tradicionais ficaram bem abaixo do ritmo registrado pelo indicador geral", escreveu David Qu, economista para China da Bloomberg Economics. O aumento do superávit comercial da China também desencadeou um intenso debate entre economistas sobre o papel da moeda chinesa na preservação da competitividade da indústria do país. Desde o início deste ano, as autoridades chinesas vêm prometendo promover um “comércio equilibrado” e ampliar as compras de produtos do exterior. As importações de fato dispararam neste ano, embora os fatores relacionados aos preços tenham desempenhado um papel mais importante. Em um sinal de que nem mesmo o forte avanço das importações tem sido suficiente para acompanhar o ritmo das exportações, o superávit comercial acumulado pela China até julho superou, pela primeira vez desde fevereiro, o nível registrado no mesmo período do ano passado. A disparada dos preços de chips e de commodities, como petróleo e metais, inflou os números do comércio exterior chinês, fazendo com que as exportações e importações crescessem menos quando medidas em volume. Além disso, com trilhões de dólares sendo direcionados para a inteligência artificial, a escassez de semicondutores e de outros componentes eletrônicos fez com que os preços de alguns chips saltassem até 700% nos últimos 12 meses. Os preços das exportações aumentaram 8% em junho na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo os dados oficiais mais recentes, registrando a terceira alta consecutiva após quase três anos de quedas. Já os preços das importações dispararam 25% em junho, a maior elevação desde o início da série histórica, em 2006. Em termos de volume, porém, as importações cresceram apenas 4% em junho. A China também manteve a redução das importações de petróleo bruto. Em termos de volume, porém, a queda desacelerou para 24% na comparação anual, após recuo de 41% registrado em junho.