Salto nas vendas totais ao exterior foi de 27% em junho, para US$ 412 bilhões. Demanda por chips impulsiona exportações 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 China exportou mais de um milhão de veículos em um único mês pela primeira vez na história — Foto: Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/07/2026 - 10:05 Exportações da China batem recorde com demanda por chips e IA As exportações chinesas atingiram um recorde de US$ 412 bilhões em junho, com um crescimento de 27% impulsionado pela demanda por chips e investimentos em inteligência artificial. A China exportou pela primeira vez um milhão de carros em um único mês. As importações também cresceram 36%. O superávit comercial com a União Europeia atingiu novo recorde, enquanto pressões inflacionárias e tensões geopolíticas colocam desafios para o futuro. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO As exportações chinesas alcançaram um recorde de US$ 412 bilhões em junho, superando com folga todas as previsões. Impulsionadas por um superciclo global de investimentos em inteligência artificial, as vendas ao exterior cresceram 27% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados na terça-feira pela Administração Geral das Alfândegas. O país também atingiu a marca de um milhão de carros exportados pela primeira vez, o que contribuiu para o resultado da balança comercial. As importações igualmente dispararam muito além do esperado, avançando 36%, o ritmo mais rápido em cinco anos. Como resultado, o superávit comercial da China aumentou para US$ 125,6 bilhões, um nível mensal superado apenas uma vez na história. Brad Setser, ex-funcionário do Tesouro dos EUA e atualmente integrante do Conselho de Relações Exteriores, afirmou que os dados do comércio exterior chinês de junho são “ao mesmo tempo fascinantes e um tanto insanos.” O desempenho excepcional do comércio exterior chinês em junho encerra um período de seis meses em que as exportações cresceram quase 18%, ultrapassando US$ 2 trilhões. Demanda por chips impulsiona exportações Os números do comércio exterior chinês evidencia como infraestrutura de inteligência artificial (IA) vem remodelando as trocas comerciais. A corrida por data centers levou a uma escassez histórica de chips e outros componentes eletrônicos, fazendo com que os preços de alguns chips disparassem até 700% nos últimos 12 meses. Embora essa alta de preços esteja impulsionando significativamente os números do comércio exterior, ela também gera uma distorção. As exportações chinesas de semicondutores cresceram 122% em termos de valor, medido em dólares, na comparação com um ano antes — o ritmo mais acelerado em 13 anos. No entanto, quando medidas em volume, e não em valor, as vendas recuaram 0,4%, registrando a primeira queda em mais de dois anos. O mesmo efeito provavelmente também contribuiu para o aumento de 53% nas exportações de computadores e de seus componentes. — A crescente demanda global por infraestrutura de inteligência artificial, eletrônicos avançados e bens de capital continua sendo um importante fator de sustentação para as exportações da indústria chinesa — afirmou Hao Zhou, economista-chefe da Guotai Junan International Holdings. Um milhão de carros vendidos Mas não é apenas o setor de tecnologia que impulsionou as vendas chinesas. A China exportou mais de 1 milhão de veículos em um único mês pela primeira vez na história, com o valor dessas exportações avançando 70% em relação ao mesmo período do ano anterior. As fabricantes chinesas de veículos elétricos vêm conquistando espaço nos mercados internacionais em meio aos preços elevados do petróleo, passando a responder por mais de 15% das vendas de automóveis na Europa pela primeira vez no início deste ano. Outros produtos também registraram forte crescimento. As exportações de navios dispararam 42%, enquanto as de eletrodomésticos aumentaram 15%. Superávit comercial da China com a União Europeia atingiu um novo recorde — Foto: Bloomberg O boom de carros chineses tem afetado especialmente a Europa, que tem dificuldade para competir com os fabricantes asiáticos. O superávit comercial da China com a União Europeia atingiu um novo recorde: cresceu 27% em junho na comparação com o mesmo mês do ano anterior, chegando a US$ 32,9 bilhões. Os líderes europeus têm tratado cada vez mais o desequilíbrio comercial como um desafio estratégico, e não apenas como uma questão econômica. O presidente da França, Emmanuel Macron, classificou a situação como uma questão de "vida ou morte" para a indústria europeia após sua visita a Pequim no fim do ano passado. Já as autoridades chinesas, por sua vez, têm enfatizado os benefícios do livre comércio e da cooperação econômica, ao mesmo tempo em que destacam as oportunidades para ampliar o acesso das empresas europeias ao mercado chinês. "Os desequilíbrios comerciais com a União Europeia continuaram a aumentar", escreveram economistas do Macquarie Group Ltd., liderados por Larry Hu, em um relatório. "Apesar da trégua comercial de três meses, o aumento do superávit mantém elevado o risco de um conflito comercial entre a China e a União Europeia." No primeiro semestre do ano, a China importou US$ 135,6 bilhões em mercadorias da União Europeia, um aumento de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior. No mesmo intervalo, suas exportações para o bloco somaram US$ 312,3 bilhões, alta de 17%. Pressões inflacionárias e guerra no Oriente Médio O aumento das barreiras comerciais, as pressões inflacionárias globais e os conflitos geopolíticos representam desafios para o comércio exterior chinês no segundo semestre, afirmou Wang Jun, vice-diretor da Administração Geral das Alfândegas, durante uma entrevista coletiva em Pequim. Segundo ele, a China está confiante de que conseguirá preservar o ritmo do comércio exterior, apesar da volatilidade do cenário internacional. Embora a corrida pela inteligência artificial tenha ajudado a proteger a economia chinesa dos efeitos de meses de guerra no Oriente Médio, o crescimento econômico provavelmente desacelerou para perto do limite inferior da meta oficial de expansão, entre 4,5% e 5%, no segundo trimestre. Já prejudicada pela fraqueza do consumo interno, a economia corre o risco de se tornar ainda mais desequilibrada em consequência do boom das exportações impulsionado pela IA, tornando-se mais vulnerável a uma eventual desaceleração da demanda global Com a escalada das tensões envolvendo o Irã, investidores e economistas também identificaram novos sinais de que a China está importando muito menos petróleo. As importações de petróleo bruto despencaram 41% em relação ao mesmo período do ano passado, para 29 milhões de toneladas em junho — o menor volume adquirido pelo país em quase uma década.
Exportações chinesas renovam recorde, e país atinge marca de um milhão de carros vendidos
Salto nas vendas totais ao exterior foi de 27% em junho, para US$ 412 bilhões. Demanda por chips impulsiona exportações













