Advogado conservador de 48 anos também sinalizou favoravelmente às medidas de austeridade fiscal e a um alinhamento estreito com o presidente dos EUA, Donald Trump 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, fala durante uma entrevista coletiva em Bogotá, na Colômbia, na quinta-feira, 30 de julho de 2026 — Foto: AP/John Vizcaino O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, toma posse nesta sexta-feira em cerimônia marcada para 17h (horário de Brasília), em Cali, após uma vitória em uma campanha eleitoral apertada na qual prometeu lançar mão de políticas linha-dura contra a criminalidade e o narcotráfico, similares às do presidente de El Salvador, Nayib Bukele. O advogado conservador de 48 anos também sinalizou favoravelmente às medidas de austeridade fiscal, como as de Javier Milei na Argentina, e a um alinhamento estreito com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Espriella representou conhecidos grupos paramilitares de direita durante sua carreira como advogado, mas unca havia ocupado um cargo eletivo até agora. Sua eleição integra uma guinada à direita observada em vários países da América Latina. No Peru, Argentina, Chile, Equador, Bolívia e Panamá, economias fragilizadas e o aumento da criminalidade mudaram as prioridades dos eleitores, permitindo que candidatos da direita radical, antes considerados com pouca expressão política, ganhassem espaço ao prometer endurecimento no combate ao crime, em meio ao avanço do nacionalismo de direita em diversas partes do mundo. Espera-se que ele anuncie dezenas de medidas em seu discurso de posse. Embora possa implementar algumas políticas por decreto, analistas afirmam que muitas de suas propostas dependerão do apoio de um Congresso dividido e poderão ser suavizadas durante as negociações. Espriella responsabiliza Petro pela expansão dos grupos armados e prometeu encerrar as negociações de paz consideradas ineficazes, intensificar a resposta militar e construir megapresídios. Petro não reconheceu a vitória do sucessor e convocou manifestações nas principais cidades do país. Posse em Cali Espriella será o primeiro presidente da Colômbia a tomar posse fora do Congresso, em Bogotá. A cerimônia ocorrerá em Cali, no sudoeste do país, sob forte esquema de segurança. São esperadas as presenças do rei da Espanha e dos presidentes da Argentina, Equador e Chile, entre outras autoridades. Os Estados Unidos enviarão uma delegação liderada pelo secretário interino de Justiça, Todd Blanche. O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, discursa durante um desfile militar em comemoração ao Dia da Independência, em Bogotá, na Colômbia, na segunda-feira, 20 de julho de 2026 — Foto: AP/Miguel Ángel López Os investidores receberam positivamente a agenda pró-mercado de Espriella, mas as expectativas de mudanças rápidas são limitadas pelas restrições fiscais e pelo elevado endividamento público. O presidente da bolsa de valores colombiana defendeu medidas como facilitar o acesso de investidores estrangeiros e de varejo ao mercado, reduzir custos de transação, eliminar o imposto sobre dividendos e elevar para 20% a participação de ações da estatal Ecopetrol negociadas em bolsa. Representantes dos setores de petróleo e mineração demonstraram otimismo, mas afirmam que as mudanças precisam ocorrer rapidamente para que a Colômbia consiga ampliar sua produção de gás e atender outras necessidades urgentes. Segundo relatório divulgado na quinta-feira pela consultoria Colômbia Risk Analysis, os primeiros 100 dias do novo governo deverão se concentrar em medidas que Espriella possa implementar diretamente. "Os esforços nas áreas de segurança e combate à corrupção provavelmente serão os pilares mais visíveis do início do governo, embora principalmente por meio de soluções parciais e medidas indiretas, em vez de uma implementação completa. A erradicação da coca deverá avançar com pulverização aérea por aviões e drones, além da continuidade da pressão militar por meio de bombardeios e operações", afirmou a consultoria. "O mercado provavelmente reagirá de forma positiva no curto prazo, refletida na valorização do peso colombiano, mas a simplificação tributária e a eliminação do imposto sobre grandes fortunas poderão reduzir a arrecadação justamente quando surgirem novas demandas por gastos públicos, especialmente se a população perceber um desmonte dos benefícios concedidos durante o governo Petro", acrescentou. Espriella tem se apoiado fortemente no vice-presidente eleito, José Manuel Restrepo, ex-ministro da Fazenda que viajou a Washington para se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Entre os demais integrantes do gabinete estão Omar Bula, ex-funcionário do Programa Mundial de Alimentos que posteriormente se tornou crítico das Nações Unidas, para o Ministério das Relações Exteriores; o general da reserva Jorge Eduardo Mora para a Defesa; a engenheira eletricista María Arboleda para Minas e Energia; e Miguel Gómez para o Ministério da Fazenda. Gómez afirmou que o déficit fiscal do país está entre 7% e 8% do PIB, acima dos números apresentados pelo governo que deixa o poder, e que a nova administração apresentará uma reforma tributária voltada ao crescimento econômico.