Deputado tem emenda enviada a cidade alagoana alvo do TCU e acusação de estupro sob análise 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro anuncia Alfredo Gaspar como candidato a vice — Foto: Cristiano Mariz A entrada de deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) à chapa de Flávio Bolsonaro (PL) provocou uma operação no PL para conter o desgaste provocado pela repercussão de acusações contra o parlamentar. A estrutura jurídica da sigla foi acionada para tentar desmontar uma acusação de parlamentares opositores sobre um suposto estupro de vulnerável, que ele nega. Em outra frente, o PT avalia o melhor o momento para explorar o caso. O ataque, no entanto, não será agora e a artilharia será reservada para após o dia 15 de agosto, data limite para registro de candidatos nas chapas. Integrantes do núcleo mais próximo de Flávio afirmam que a estratégia passou a ser “conter” o desgaste antes que ele se consolidasse como uma das principais linhas de ataque da oposição. A avaliação é que o anúncio do vice deveria representar um dia de vitória para a campanha, encerrando meses de negociações e permitindo que o foco passasse a ser a ofensiva contra o governo Lula a partir da CPI do INSS. Em vez disso, a repercussão das acusações contra Gaspar, mesmo sem que haja uma investigação formal do caso até o momento, acabou por ofuscar o lançamento da chapa. O incômodo foi maior porque a escolha do deputado havia sido desenhada justamente para permitir uma mudança de agenda. Depois de uma pré-campanha marcada pela dificuldade de fechar alianças, pela crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e pelos desdobramentos do caso do Banco Master, a cúpula pretendia usar Gaspar para colocar Flávio na ofensiva. Relator da CPI do INSS, ex-promotor de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, ele foi escolhido para dar rosto a duas das principais bandeiras da campanha: combate à corrupção e segurança. A reação do PL passou a ser em duas frentes. Na política, a orientação foi não esconder Gaspar nem evitar perguntas sobre o episódio, mas expô-lo e sustentar que a acusação é falsa e já era conhecida quando seu nome foi escolhido. Na jurídica, a defesa decidiu tentar acelerar uma resposta das autoridades e transformar o exame de DNA no principal instrumento para rebater as suspeitas. A avaliação é que o pior cenário seria chegar ao início da propaganda eleitoral com o procedimento ainda indefinido e o vice obrigado a responder repetidamente à mesma acusação. Por isso, a campanha tenta concentrar agora as explicações e, se possível, obter uma definição antes que o assunto seja explorado de forma permanente pelos adversários. Do outro lado, a campanha petista calcula que o ideal é aguardar o prazo para o registro das candidaturas, no dia 15 de agosto, garantindo que Gaspar estará na chapa de Flávio. Só então, aumentará a artilharia contra o deputado. Um dos coordenadores da campanha de Lula, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, deu o tom de como os aliados do petista devem explorar o tema. “Flávio Bolsonaro acabou de indicar para vice um cidadão que foi acusado de estupro de vulnerável. Como se não bastasse, Alfredo Gaspar é investigado por emendas PIX de R$ 6 milhões para um prefeito em Alagoas. É o casamento da rachadinha com o orçamento secreto. Eles se merecem!”, escreveu ele, em postagem nas redes sociais. Gaspar afirma que não é investigado no procedimento do Tribunal de Contas da União sobre as emendas destinadas a São José da Laje (AL). Segundo o deputado, os recursos foram enviados de forma regular e a execução e a prestação de contas cabem à prefeitura. A campanha já conhecia a acusação quando decidiu por Gaspar. Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da candidatura e responsável por apresentar o nome do deputado a Flávio, afirmou nesta quinta-feira que acompanhou pessoalmente o surgimento do caso durante a CPI e que ele foi levado em conta antes da escolha. — Aceitar que esse tipo de jogo sujo, que essa pusilanimidade, possa ser normalizada no processo eleitoral é aceitar que nós estamos numa falência do ponto de vista ético e incontornável. Porque qualquer um de nós poderia sofrer uma acusação leviana — disse.
Campanha de Flávio monta defesa sobre Gaspar, e aliados de Lula preveem ofensiva sobre vice após fim do prazo de registro
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