O carro de um policial militar suspeito de matar a ex-namorada tinha sido impecavelmente lavado depois do crime. Ou quase impecavelmente. Em um pente-fino, uma equipe de especialistas em análise do solo encontrou um microvestígio de terra na parte interior do paralamas e outro perto do retrovisor.
Juntos, pesavam cerca de 0,5 grama, e foi com esse torrãozinho, que mal dava para ser visto a olho nu, que a equipe conseguiu comprovar que o veículo havia passado pelo local onde o corpo tinha sido encontrado. E isso foi fundamental para a condenação do PM por feminicídio.
A história com cara de "CSI", a famosa série de TV sobre investigação de crimes, está no currículo da doutora em ciência do solo Samara Alves Testoni, 38, que começou neste ano a ministrar uma disciplina de graduação pioneira no país sobre essa técnica. A matéria se chama Pedologia Forense, ou seja, a ciência que estuda o solo aplicada a investigações no âmbito judicial.
É oferecida a estudantes de engenharia agronômica e de ciências biológicas da Unesp, no campus de Jaboticabal (interior de São Paulo).
Posteriormente, Samara pretende abrir para outros cursos, e explica que peritos podem ter diferentes formações, como direito, informática, agronomia, geologia, química ou medicina, e utilizam esse conhecimento diverso nas investigações.








