Há um equívoco recorrente no debate público: o de que criticar o extremismo islâmico seria incompatível com o respeito aos muçulmanos. Do ponto de vista do Islã, ocorre exatamente o contrário. A religião não apenas admite essa crítica; ela faz dela um dever sempre que o bem, a justiça e a dignidade humana são violados.
O Alcorão determina que os fiéis sejam testemunhas da justiça, ainda que isso contrarie seus próprios interesses ou os de sua comunidade. Afirma: "Sede firmes na justiça, ainda que contra vós mesmos, vossos pais ou parentes" (4:135).Esses princípios afastam qualquer ideia de lealdade cega ao próprio grupo. Terrorismo, perseguição religiosa, violência contra civis e qualquer crime cometido em nome do Islã devem ser condenados de forma clara e sem relativizações. Não existe fundamento islâmico para silenciar diante da barbárie.
A omissão diante da injustiça nunca foi apresentada como virtude. Ao contrário, denunciar abusos e corrigir desvios faz parte da responsabilidade moral de todo muçulmano.
Mas esse dever não é exclusivo dos muçulmanos. Toda comunidade deve repudiar os abusos cometidos em seu nome, assim como o nacionalismo quando degenera em xenofobia ou qualquer outra forma de intolerância. A coerência exige uma única régua moral para todos.







