O Conselho da Paz, grupo de 28 países criado em janeiro pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quinta-feira 30 ter alcançado um suposto “acordo histórico” para o “desarmamento completo” do Hamas e de outros grupos de combatentes palestinos existentes na Faixa de Gaza. De acordo com o anúncio, esse “passo monumental” seria dado espontaneamente e de forma pacífica pelos palestinos. Há, no entanto, uma condição difícil de ser cumprida. Israel precisa sair dos territórios ocupados, permitir a entrada regular de ajuda humanitária e de outros itens indispensáveis à reconstrução da Faixa de Gaza e se abster de cometer novos ataques na região.

Fontes do Hamas ouvidas por agências internacionais de notícia têm confirmado o interesse na proposta apresentada pelo grupo de Trump, mas essas mesmas fontes são claras a respeito da desconfiança em relação a Israel.

Até agora, os sinais enviados por Tel-Aviv não são auspiciosos. O ministro da Segurança Nacional, Ben Gvir, chegou a classificar a ideia como “inaceitável”. Segundo ele, “interromper os combates contra o movimento islâmico palestino equivale a aceitar que o Hamas se reorganize para preparar o próximo massacre”. A declaração faz referência ao massacre que o Hamas cometeu em 7 de outubro de 2023, quando integrantes do grupo entraram em Israel e mataram mais de mil moradores e sequestraram mais de 200, no maior ataque sofrido pelos israelenses desde a fundação de seu Estado nacional, em 1948. Em resposta, os israelenses conduzem desde então operações militares tão avassaladoras que motivaram uma acusação de genocídio, apresentada pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça, em Haia. O tipo penal “genocídio” diz respeito à intenção deliberada de inviabilizar a existência de um povo.