Comunicado oficial do Hamas deve ser divulgado nas próximas horas; plano prevê entrega gradual das armas, criação de um novo governo palestino e retirada progressiva das tropas israelenses 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente dos EUA, Donald Trump — Foto: AFP O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira que o Conselho da Paz chegou a um acordo para o "desarmamento completo" do Hamas e de todos os demais grupos armados na Faixa de Gaza. Segundo o republicano escreveu em sua rede social, Truth Social, o processo será implementado em etapas e abrirá caminho para a criação de um novo governo palestino, enquanto tropas israelenses deixarão gradualmente o território à medida que o desarmamento for concluído. Pouco depois, autoridades do Hamas confirmaram que um entendimento foi alcançado com Israel e informaram que um comunicado oficial será divulgado em breve. Israel não se pronunciou sobre o acordo. Criado pelo governo Trump para implementar seu plano de reorganização política e de segurança para a Faixa de Gaza, o Conselho da Paz reúne representantes americanos, mediadores árabes e técnicos encarregados de conduzir a transição para uma nova administração palestina no território. O anúncio do acordo foi feito em uma publicação na rede Truth Social, na qual Trump classificou o entendimento como "um passo monumental rumo à paz e à segurança duradouras". O presidente americano também afirmou que a implementação do acordo faz parte de seu Plano de 20 Pontos para Gaza e agradeceu aos mediadores — Egito, Catar e Turquia — pelos esforços nas negociações. "À medida que o desarmamento for concluído, as forças israelenses se retirarão, e a Força Internacional de Estabilização trabalhará com uma nova força policial palestina para assumir a responsabilidade de manter Gaza segura para seus moradores e seus vizinhos", escreveu o republicano. Segundo Trump, o acordo permitirá que Gaza seja governada por uma nova administração palestina em cooperação com o Conselho da Paz e impedirá que o território volte a ser utilizado como base para ataques contra Israel. Apesar do anúncio da Casa Branca, autoridades israelenses e fontes envolvidas nas negociações indicam que ainda existem divergências importantes sobre os termos do acordo, especialmente em relação ao cronograma de retirada das tropas israelenses e ao alcance da desmilitarização da Faixa. Como funcionará o acordo Nas últimas horas, fontes ligadas ao Conselho da Paz disseram aos jornais Haaretz e The Times of Israel que as negociações haviam avançado significativamente e que um acordo poderia ser concluído "em horas ou dias". Segundo essas fontes, o plano prevê um processo gradual, de cerca de oito meses, para que o Hamas entregue suas armas ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), órgão formado por tecnocratas palestinos e supervisionado pelo Conselho da Paz, que deverá substituir o grupo na administração da Faixa. A Força Internacional de Estabilização e uma nova força policial palestina ficariam responsáveis por acompanhar o processo, recolher o arsenal e assumir progressivamente a segurança do território. O acordo também prevê o desmantelamento de túneis, depósitos de armas e instalações de fabricação de armamentos, seguindo o princípio de "uma autoridade, uma lei e uma arma", concentrando todo o monopólio da força nas instituições do novo governo palestino. Segundo um diplomata árabe ouvido pelo The Times of Israel, milícias palestinas rivais do Hamas apoiadas por Israel também seriam obrigadas a entregar suas armas. O plano ainda prevê um programa de recompra de armamentos de uso pessoal e anistia para integrantes do Hamas que cumprirem as condições estabelecidas. Fontes envolvidas nas negociações afirmaram que o grupo aceitou, em princípio, abrir mão de suas armas pesadas, mas ainda busca garantias sobre quem ficará responsável por armazená-las e insiste que o processo ocorra apenas após a instalação efetiva do novo governo palestino e de sua força policial. Resistência israelense Embora fontes do Conselho da Paz afirmem haver consenso sobre os principais pontos do acordo, o governo israelense continua demonstrando resistência à proposta. Uma autoridade política israelense afirmou que o documento de 15 pontos elaborado pelo Conselho da Paz não atende às exigências de Jerusalém para uma "desmilitarização completa" da Faixa de Gaza. Segundo essa autoridade, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, já apresentou essas objeções ao enviado do Conselho da Paz, Tony Blair. — Não haverá retirada das Forças de Defesa de Israel da Linha Amarela na Faixa de Gaza antes que o Hamas seja desarmado e o território esteja completamente desmilitarizado — afirma. Outra fonte israelense disse ao Haaretz que Israel exige a retirada de todas as armas do enclave como condição prévia para qualquer processo político. Apesar das divergências, interlocutores do Conselho da Paz afirmam que Israel vem coordenando discussões técnicas sobre a implementação do plano e autorizou, no último domingo, o envio inicial da Força Internacional de Estabilização para uma área limitada de Rafah — primeiro passo concreto para a execução do projeto. Bastidores das negociações Segundo fontes ouvidas pelo Haaretz, o acordo deverá ser assinado pelo Hamas, pelos países mediadores e pelos representantes do Conselho da Paz. Israel não participaria formalmente da assinatura, mas ficaria vinculado aos termos do entendimento por seus compromissos firmados com os EUA. Os países mediadores vêm pressionando o Hamas a aceitar a proposta, argumentando que a adesão impediria que o grupo fosse responsabilizado por um eventual fracasso das negociações. De acordo com um diplomata árabe ouvido pelo The Times of Israel, o Hamas considera que aceitar o plano colocaria "a bola no campo de Israel", aumentando a pressão internacional sobre o governo Netanyahu caso ele rejeite a proposta. Os bastidores das negociações também envolveram contatos diretos entre Jared Kushner, assessor e genro de Trump, e Mohammed Dahlan, ex-chefe de segurança da Autoridade Palestina em Gaza que vive nos Emirados Árabes Unidos. Segundo assessores de Dahlan, ele atuou diretamente junto à equipe americana e ao enviado do Conselho da Paz para Gaza, Nickolay Mladenov, ajudando a destravar as conversas que culminaram no anúncio feito por Trump nesta quinta-feira. (Com AFP)