O cientista Marcelo Gleiser critica a inteligência artificial, chamando-a de algoritmo e alertando sobre riscos de antropomorfização e impacto no mercado de trabalho. Ele destaca a necessidade de aliar IA à educação e empresas sem substituir humanos. Gleiser também aponta desafios da ciência no Brasil, como falta de financiamento e evasão de cérebros, e observa que China e EUA lideram a produção científica. A entrevista ocorreu no Rio Innovation Week, publicada em 6 de agosto de 2026.Foto: Leo Souza/Estadão Marcelo GleiserFísico e astrônomo vencedor do prêmio Templeton de 2019Para o cientista Marcelo Gleiser, primeiro brasileiro a receber o prêmio científico Templeton, a inteligência artificial (IA) sequer deveria ser chamada de “inteligência”, e sim de algoritmo. Na visão dele, ela é uma máquina estatística que pode ser utilizada como uma ferramenta, assim como uma calculadora, mas traz riscos associados à antropomorfização - como quando ela se passa por um amigo pessoal ou terapeuta. Segundo ele, essa tecnologia não pode ser vista como uma solução para todos os problemas e requer cuidado diante das iniciativas das plataformas para manter as pessoas envolvidas com ferramentas como Claude ou ChatGPT.“Com a IA, a transição é para uma sedução afetiva. Elas (as empresas) querem que você goste, não só use, mas goste delas. Então, quando você faz uma pergunta, ela te fala: ‘Que pergunta ótima, que coisa mais criativa, você é o máximo’. Enche o ego da pessoa”, afirma o cientista, em entrevista concedida no Rio Innovation Week.PublicidadeGleiser vê ainda um grande risco de usar a IA no mercado de trabalho no lugar de ter profissionais iniciantes, sob risco de criar um problema de não preparar o próximo diretor ou CEO por estar delegando as atividades humanas às máquinas. “Isso aí vai ser um absurdo, porque haverá uma paralisia no processo corporativo por usar só essas inteligências”, diz.O cientista também fala sobre os velhos desafios da ciência brasileira, que tem profissionais de alto nível, mas sem o devido financiamento para que o País se torne relevante na produção científica e no registro de patentes que podem resultar em novos negócios globais.Leia os principais trechos da entrevista a seguir.PublicidadeFísico e astrônomo brasileiro em entrevista no Rio Innovation Week
Entrevista | IA não resolve todos os problemas e traz riscos para a sociedade, diz cientista Marcelo Gleiser
Em entrevista ao Estadão durante o Rio Innovation Week, o cientista compartilhou suas preocupações com relação à IA, mas reconheceu que a tecnologia tem benefícios inclusive para a produção científica









