Ex-principal especialista do país em doenças infecciosas se recusou a responder, na semana passada, perguntas sobre sua atuação durante a pandemia de covid-19 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Anthony Fauci, ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) e assessor médico de vários presidentes dos Estados Unidos, participa de audiência da Comissão de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado, no Capitólio, em Washington, em 29 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Nathan Howard Uma comissão do Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira o encaminhamento de um pedido para responsabilizar o médico Anthony Fauci por desacato ao Congresso, após o ex-principal especialista do país em doenças infecciosas se recusar a responder perguntas sobre sua atuação durante a pandemia de covid-19. A Comissão de Segurança Interna e Assuntos Governamentais aprovou o encaminhamento proposto por seu presidente, o senador republicano Rand Paul, do Kentucky, crítico de longa data de Fauci. A votação ocorreu após uma audiência realizada na semana passada, na qual Fauci, de 85 anos e aposentado desde 2022, invocou mais de 100 vezes a Quinta Emenda da Constituição americana, que protege contra a autoincriminação. Fauci, que comandou o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas por 38 anos, tornou-se o rosto da resposta dos EUA à pandemia e um dos principais alvos das críticas às medidas adotadas contra o vírus, que matou mais de 1,1 milhão de americanos. O presidente Donald Trump e muitos conservadores o criticaram pelos lockdowns, pelas orientações sobre uso de máscaras e distanciamento social e pela defesa das vacinas, que se tornaram fortemente politizadas, apesar de terem sido consideradas seguras e eficazes. Fauci e autoridades de saúde pública em todo o mundo afirmam que essas medidas foram adotadas com base nas evidências científicas disponíveis à época. O ex-presidente Joe Biden concedeu a Fauci um perdão presidencial preventivo em janeiro de 2025, para protegê-lo de "processos injustificados e motivados politicamente" relacionados à covid-19 ou ao seu papel na resposta à pandemia. O perdão, no entanto, não cobre condutas posteriores. Paul argumentou que Fauci não tinha fundamento para invocar a Quinta Emenda porque o perdão presidencial eliminaria essa proteção e porque ele teria renunciado a qualquer direito remanescente ao prestar depoimento. Fauci afirmou à comissão que Paul o convocou apenas para tentar obter um depoimento que sustentasse as repetidas promessas públicas do senador de vê-lo preso. Um representante de Fauci não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Normalmente, um pedido de responsabilização por desacato precisa ser aprovado por uma comissão do Congresso e depois pelo plenário do Senado, onde provavelmente seriam necessários 60 votos, o que exigiria apoio de democratas — considerado altamente improvável, dada a defesa que o partido faz de Fauci. Paul, porém, sugeriu que essa votação talvez não seja necessária. Em entrevista à Fox News, afirmou que poderia encaminhar diretamente o pedido ao Departamento de Justiça, acompanhado de um parecer jurídico. O gabinete de Paul não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. O presidente da Comissão de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado dos Estados Unidos, Rand Paul (republicano pelo Kentucky), conduz a votação sobre o pedido para responsabilizar Anthony Fauci, ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), por desacato ao Congresso — Foto: REUTERS/Nathan Howard Se o encaminhamento avançar, o gabinete do procurador federal em Washington, chefiado pela aliada de Trump Jeanine Pirro, analisará o caso e decidirá se solicitará a abertura de um processo criminal perante um grande júri. Fauci também enfrenta investigações em nível estadual. A Louisiana juntou-se à Flórida e ao Alabama na apuração de sua atuação durante a pandemia. O perdão presidencial federal não impede eventuais acusações na esfera estadual.
Comissão do Senado dos EUA vota para responsabilizar Fauci por desacato ao Congresso
Ex-principal especialista do país em doenças infecciosas se recusou a responder, na semana passada, perguntas sobre sua atuação durante a pandemia de covid-19









