Em 18 de fevereiro de 2006, um sábado, um pequeno grupo de jovens se reuniu em um dos acessos da estação Santa Cruz do metrô, na zona sul de São Paulo. A proposta era simples: improvisar versos e disputar uma batalha de rimas. Sem estrutura, patrocínio ou expectativas, nascia ali um dos movimentos mais importantes da história recente do hip hop paulistano.
Duas décadas depois, a Batalha do Santa Cruz permanece como ponto de encontro de jovens artistas e completa 20 anos consolidada como espaço de formação, convivência e afirmação cultural. De suas rodas saíram rappers que alcançaram projeção nacional, entre eles Emicida, Rashid, Bivolt, Projota e Drik Barbosa.
Flow MC, um dos criadores da batalha, lembra que, naquele primeiro encontro, estavam presentes apenas ele, Leandro e algumas poucas pessoas. “A gente fez sem pretensão nenhuma”, recorda.
O Leandro citado por Flow adotaria mais tarde o nome artístico de Emicida e se tornaria um dos principais nomes da música brasileira. Como ele, outros artistas encontraram nas disputas de improviso um espaço para desenvolver a escrita, a presença de palco e a própria identidade.
“Foi lá que aprendi o fundamento do hip hop”, afirma Drik Barbosa, cuja trajetória também ganhou impulso a partir das rodas do Santa Cruz.








