Trilado o apito final de Brasil 5 x 2 Suécia, decisão da Copa do Mundo de 1958, Brasil campeão pela primeira vez, Bellini, capitão do time, subiu a um palanque para receber o caneco. Gustavo Adolfo, rei da Suécia, entregou-lhe o troféu e afastou-se educadamente para que Bellini o mostrasse ao mundo. Bellini levou a taça à altura do peito e sorriu para as dezenas de fotógrafos lá embaixo. De repente, ouviu-se o grito: "Bellini, levanta a taça! Não dá pra ver!". Vinha dos fotógrafos brasileiros, os únicos que podiam ser entendidos pelo capitão. Bellini levantou a taça acima da cabeça. As câmeras dispararam e, até hoje, todas as taças de todos os esportes são levantadas acima da cabeça.

Luiz Carlos Barreto, então fotógrafo da revista O Cruzeiro, sempre se considerou o autor do grito. Ao morrer, no dia 23 último, aos 98 anos, os obituários enfatizaram sua incrível carreira como produtor de cinema e mencionaram o episódio da Suécia. Um jornal, no entanto, observou: "Outros relatos mencionam Jader Neves, da revista Manchete, como um dos fotógrafos brasileiros que gritaram para Bellini levantar a taça". O "outros relatos" se refere a mim, que dei o crédito a Jader Neves ao contar a história em meu livro sobre a vida de Garrincha, "Estrela Solitária".