Economista não vê espaço para novos cortes da Taxa Selic este ano se o BC, de fato, busca alcançar a meta de 3% para o IPCA. Para ela, maior desafio do próximo governo é sanar contas públicas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Com disputa apertada, mercado ainda não precifica eleição, diz Solange Srour — Foto: Divulgação Em seu quarto corte seguido da taxa básica de juros, o Banco Central adotou tom mais sucinto após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), sem deixar claros quais serão os próximos passos. Para a diretora de Macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management, Solange Srour, a avaliação é que não há espaço para novas reduções da Selic este ano se a meta de inflação de 3% for, de fato, o objetivo perseguido pela autoridade monetária. Ela pondera que as expectativas para 2027 e 2028 seguem distantes do centro da meta. Para Solange, seja quem for o vencedor da eleição, a questão fiscal será o principal desafio. Ela avalia que se o tema for abordado a partir do próximo ano isso pode aliviar as expectativas de inflação. A especialista estima que o país precisa de um ajuste de cerca de quatro pontos do PIB, mas, por ora, com a incerteza das eleições, os analistas preveem apenas um ajuste marginal. Há espaço para mais um corte da Selic este ano? O mercado coloca mais corte, mas a expectativa de inflação para o horizonte relevante da política monetária, para 2027 e 2028, continua pressionada. Esse espaço parece que não existe se o que se busca for realmente 3% (centro da meta). O mercado se mostrou otimista com um possível acordo entre EUA e Irã nesta semana. Qual parece ser a perspectiva agora? Independentemente do cessar-fogo ou não, não vamos ter uma forte queda do petróleo porque é uma situação instável. Temos inúmeras questões geopolíticas que devem manter os preços de commodities em alta, ainda que no curto prazo possa haver algum tipo de alívio na inflação corrente se o petróleo ficar mais perto de US$ 70 o barril do que perto de US$ 90. Em termos de política monetária, os bancos centrais devem estar preocupados com a maior volatilidade da inflação e com a perspectiva de que os preços de commodities vão ficar altos. A inflação está distante da meta não só no Brasil, mas no mundo todo. Por isso os BCs estão cautelosos. As eleições vão começar a fazer preço agora? O cenário eleitoral está muito apertado segundo as pesquisas de segundo turno. É muito difícil o mercado precificar uma eleição que está muito perto do fifty-fifty, perto da margem de erro. A precificação vem depois da abertura das urnas. É claro que o mercado vai ter expectativa sobre a política econômica do candidato que ganhar, mas vai demorar um tempo até entender qual será. Não está claro o que vai ser feito daqui para frente. Qual nível de câmbio projeta para o fim do ano? Dado que a eleição não vai ser precificada tão cedo, o cenário internacional permite que o câmbio fique perto de R$ 5,10. Se falo que o câmbio é R$ 5,30, na verdade, é uma média entre câmbio bem mais depreciado ou um pouco abaixo do que está hoje. Mas prever é complicado. Depois do resultado das urnas, o mercado vai colocar a questão de qual é a probabilidade de o ajuste ser forte, não ter ajuste ou então ser gradual. Qual tipo de ajuste fiscal o mercado espera? O mercado entende que precisa fazer um ajuste fiscal forte porque a situação do juro real alto é insustentável. Como não sabemos quem vai ganhar, o que está precificado é um ajuste marginal. Não muito elevado, mas que não cause um descontrole total da dívida. Se o cenário internacional for super favorável, pode ser que a gente tenha um ajuste de 1,5% a 2% do PIB. Ou se o governante trouxer um quadro de reformas que seja super crível, aí o ajuste necessário será menor. Mas, pelos fundamentos, a necessidade de ajuste é perto de quatro pontos. Quais são os riscos no radar? O mercado está de olho no que o Fed (Federal Reserve, BC americano) vai fazer. A política monetária americana é um dos pilares do dólar ser moeda de reserva de valor porque as pessoas acreditam que existe um banco central independente e que fará o que for preciso para segurar a inflação. E isso tem implicações globais. Com inflação mais inercial e dívida bruta em 81,9% do PIB, qual será o desafio econômico do próximo governo? A questão fiscal. Se ela for bem endereçada, as expectativas de inflação, média e longa, vão cair. Como ninguém acredita que a relação dívida/PIB vai se estabilizar, é esperada uma inflação maior. Mas o principal desafio é endereçar a política fiscal. Se o fiscal for resolvido, a meta de inflação, na qual ninguém acredita hoje no Brasil, volta a ser atingível.
‘Se o fiscal for resolvido, meta de inflação volta a ser atingível’ a partir de 2027, diz diretora do UBS
Economista não vê espaço para novos cortes da Taxa Selic este ano se o BC, de fato, busca alcançar a meta de 3% para o IPCA. Para ela, maior desafio do próximo governo é sanar contas públicas










