0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil, Edilson Dantas / Agência O Globo, Reprodução/TV Globo, Divulgação e Genial/Divulgação A eleição presidencial de 2026 é a primeira desde a redemocratização do país que terá apenas uma coligação partidária, a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De 1989 a 2022, todos os pleitos tiveram no mínimo dois candidatos com o apoio de outras legendas, mesmo que nanicas ou de menor expressão no Congresso. O cenário inédito e inusitado foi selado com o encerramento do prazo para as convenções partidárias na última quarta-feira (5). Lula, que tentará a reeleição com o apoio de sete partidos, incluindo o PT, concorre contra 12 candidatos de partidos isolados, ou seja, que não conseguiram fechar alianças formais com outras siglas. Além de ampliar os apoios políticos e a capilaridade de uma campanha nacional nos estados e municípios, as coligações formais ampliam o tempo de TV e rádio e das inserções dos presidenciáveis nas emissoras, o que pode ser determinante em eleições apertadas como a deste ano. O caso mais emblemático é o de Flávio Bolsonaro (PL), que passou meses tentando atrair legendas como o União Brasil, o PP, o Republicanos e até o Podemos e ofereceu até o último minuto a vaga de vice em sua campanha para esses partidos, sem êxito. Após receber “nãos” em série e ser desautorizado publicamente pelo PP ao negociar uma aliança com a senadora Tereza Cristina (MS), restou a Flávio anunciar o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) em uma inédita chapa avulsa para o bolsonarismo. Os partidos com os quais flertou, por sua vez, optaram pela neutralidade no cenário nacional. Até mesmo seu pai, Jair Bolsonaro, conseguiu o apoio do nanico PRTB em 2018, quando sua candidatura presidencial pelo também pequeno PSL ainda era desacreditada em boa parte do mundo político. Quatro anos depois, quando tentou disputar um segundo mandato pelo PL, Bolsonaro atraiu o PP e o Republicanos. Dark Horse A chapa isolada do PL reflete a dificuldade de Flávio e seu QG na articulação política, muito em função da revelação dos diálogos entre o presidenciável e o então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para o financiamento de “Dark Horse”, longa-metragem sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. A tentativa inicial de Flávio de negar peremptoriamente a conversa e o vazamento posterior de detalhes da relação com o ex-banqueiro, preso desde março, minaram a confiança nas legendas com as quais o PL negociava, diante do receio de que novos escândalos venham à tona. No caso do PP, que forma uma federação com o União em um arranjo que obriga os dois partidos a caminharem juntos, também pesou a reação do candidato do PL à operação da Polícia Federal (PF) contra o presidente da sigla, senador Ciro Nogueira (PI), no âmbito do caso Master semanas antes da revelação dos áudios de Flávio com Vorcaro. Ciro, que foi ministro da Casa Civil de Bolsonaro e chegou a ser cotado como vice de Flávio, nunca engoliu o fato do aliado ter classificado como “graves” as informações reveladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ocasião da ação policial e ter defendido a apuração das suspeitas com “rigor e transparência”, já que o próprio candidato do PL se viu enroscado no escândalo Master pouco tempo depois. Mais do que implicações morais e mágoas, pesou na conta o impacto da associação com um candidato potencialmente tóxico na formação das bancadas no Congresso que tomarão posse em fevereiro de 2027. Com a neutralidade, Ciro espera eleger pelo menos 40 deputados. O arranjo também facilita as alas pró-Lula da sigla, majoritariamente no Nordeste e no Norte. Além disso, como publicamos no blog, a resistência da federação União-PP e do Republicanos também foi resultante da pressão do governo Lula e até o STF sobre integrantes das legendas. Lideranças teriam recebido “recomendações” de ministros da Corte para não seguir adiante com a aliança com Flávio. O recado foi interpretado como uma instrução direta, seja pelo risco de serem alvo de algum tipo de retaliação em razão da opção eleitoral por um adversário do Supremo como pelo risco de o próprio Flávio vir a ser alvo de alguma medida judicial até o fim da corrida. Terceira via Mas a dificuldade também se estendeu aos postulantes à terceira via. Ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) é filiado ao partido que mais elegeu prefeitos no Brasil em 2024 e tem seis governadores filiados, mas não conseguiu atrair o apoio de outras siglas. Ele terá como candidato a vice o fundador e presidente da legenda, Gilberto Kassab. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema é filiado ao Novo, que não atingiu a cláusula de barreira e não conseguiu se aliar nem ao nanico DC após o candidato acenar a Joaquim Barbosa, que desistiu de concorrer à Presidência da República. Também tentou atrair o Podemos, mas as tratativas não avançaram. Seu vice será o senador em fim de mandato Eduardo Girão (CE), que abriu mão de concorrer ao governo do Ceará para compor sua chapa. Já Renan Santos (Missão), que também não firmou coligação, já declarou rejeitar alianças partidárias. Embora seja o único candidato coligado neste ciclo eleitoral, a aliança de Lula desidratou em relação a 2022: o Avante disputará contra o presidente com a candidatura do escritor Augusto Cury, o Solidariedade declarou neutralidade, bem como o Agir, enquanto o PROS deixou de existir. Por outro lado, o petista ganhou o apoio do PDT, que lançou Ciro Gomes há quatro anos.
O fator inédito que as convenções dos partidos produziram na disputa presidencial de 2026
O fator inédito que as convenções dos partidos produziram na disputa presidencial de 2026













