“Sou rouca, mas afinada”, brinca a psicanalista e escritora Maria Rita Kehl, que costuma dizer que as duas atividades de que mais gosta são cantar e escrever. “Devia ter uns 7 ou 8 anos quando escrevi meu primeiro conto, sobre uma girafa que sonhava ser cantora”, conta. Esse antigo gosto pela escrita está na origem de A história dos vencidos, coletânea de 47 crônicas e colunas publicadas nas revistas CartaCapital e Cult entre 2022 e 2026, publicado pela INM Editora. O livro, que motivou esta entrevista, será lançado nesta quarta-feira (5), a partir das 18h, com sessão de autógrafos na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, nº 509, em São Paulo.
A expressão que dá título ao livro apareceu originalmente em uma coluna publicada em CartaCapital, em que Kehl retoma uma provocação de Walter Benjamin: “Quem escreverá a história dos vencidos?”. Tanto para o ensaísta e filósofo alemão quanto para a psicanalista paulistana, cabe ao historiador recusar a versão dos vencedores e redimir a memória daqueles cujas lutas e dores foram apagadas. Foi com esse propósito, inclusive, que Kehl recebeu da então presidente Dilma Rousseff a incumbência de investigar os crimes da ditadura contra os povos indígenas e a população campesina no âmbito da Comissão Nacional da Verdade, por indicação do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).










