“A maior parte dos investimentos continua sendo para mecanizar a produção, mas isso não quer dizer que as empresas não busquem ganhos de produtividade", disse Rafael Sales, especialista em Políticas e Indústria da CNI 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Levantamento da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) apontou que 74% das empresas industriais investiram em máquinas e equipamentos novos no ano passado, resultado um pouco abaixo dos 77% registrados em 2024. Apesar do recuo, a CNI destacou que as fábricas seguem priorizando compra de bens de capital novos: apenas 18% delas adquiriram máquinas e equipamentos usados em 2025, ante 16% no ano anterior. Segundo a pesquisa, divulgada nesta quarta-feira (5), a renovação do maquinário, contudo, não é acompanhada por um avanço tecnológico significativo. Entre as empresas que investiram em máquinas e equipamentos no ano passado, 72% delas visavam, principalmente, a mecanização, enquanto 9% tinham a robotização como alvo. Somente 5% das indústrias direcionaram seus investimentos para automatizar a produção, a partir de máquinas conectadas em rede, com capacidade de transmissão e processamento autônomo de dados. “A maior parte dos investimentos continua sendo para mecanizar a produção, mas isso não quer dizer que as empresas não busquem ganhos de produtividade. Mesmo na mecanização, uma empresa pode ganhar produtividade, ao incorporar máquinas e equipamentos mais eficientes ao processo produtivo”, avaliou o especialista em Políticas e Indústria da CNI Rafael Sales. A pesquisa também apurou que a imprevisibilidade do ambiente macroeconômico segue como a principal restrição às decisões de investimento da indústria brasileira. Seis em cada dez empresas (61%) que compraram máquinas e equipamentos novos no último ano apontaram as incertezas econômicas como o maior obstáculo para os investimentos. Na sequência vieram a queda das receitas das empresas (47%), os entraves tributários (47%), as incertezas relativas a cada setor (46%) e a falta de mão de obra (43%). Entre as empresas que adquiriram maquinário usado, as incertezas econômicas também foram o principal obstáculo: 66% delas apontaram a imprevisibilidade macroeconômica. Outros pontos citados foram: queda das receitas (55%), entraves tributários (53%), incertezas setoriais (53%) e aumento dos custos dos insumos (52%). As empresas, em geral, não têm uma preferência quanto à origem da principal máquina ou equipamento adquirido. Em 2024, 48% do maquinário comprado veio do exterior, enquanto 47% foi fabricado nacionalmente. No ano seguinte, os percentuais se inverteram: 48% das máquinas e equipamentos eram nacionais, enquanto 47% vieram de fora. Segundo a pesquisa, 78% das grandes indústrias investiram em máquinas e equipamentos novos no ano passado, número que cai para 72% entre as médias e 66% entre as pequenas. As empresas de grande porte também estão em estágio mais avançado quanto à adoção de tecnologias da Indústria 4.0. Entre as que investiram em máquinas e equipamentos em 2025, 7% visavam automatizar o processo produtivo. Nas médias e nas pequenas, apenas 4% e 2% tinham esse objetivo. Em relação à origem do maquinário, as grandes empresas foram as únicas a preferir o importado em relação ao nacional no ano passado. Para captar os dados referentes ao ano de 2025, a CNI consultou 599 empresas entre 5 e 14 de janeiro de 2026. Os dados de 2024 foram coletados junto a 656 indústrias entre 7 e 20 de janeiro de 2025. — Foto: jarmoluk/Pixabay