Quando ocorreu o Big Bang, há quase 14 bilhões de anos, a explosão gerou a mesma quantidade de partículas e antipartículas, matéria e antimatéria. Com cargas elétricas e outras qualidades opostas, quando elas se chocam, uma partícula e uma antipartícula se anulam e viram energia. Mas, se estamos aqui, é porque a matéria e suas partículas claramente pesaram mais na conta final, e o Universo hoje é dominado por elas. Por que isso aconteceu?
"Essa é uma das grandes perguntas que ainda não sabemos responder", diz a física Patrícia Magalhães, professora e pesquisadora na Unicamp. Ela busca a resposta com ajuda dos grandes colisores de partículas.
Um deles é o Large Hadron Collider (LHC), o maior e mais poderoso acelerador de partículas do mundo, que pode chegar a energias que remontam ao Big Bang. Localizado no Cern, na Suíça, é lá que fica o LHCb, experimento com o qual Magalhães colabora.
O LHCb é capaz de produzir partículas e antipartículas na mesma quantidade. Seu objetivo é chocar prótons, partículas subatômicas de carga elétrica positiva, para ver quantas partículas e antipartículas saem dali —e tentar entender para onde elas vão.
Essas colisões são mais complexas do que parecem. "Não é como bolas colidindo numa mesa de bilhar; está mais para duas sopas densas e bagunçadas, cheias de coisas dentro", explica Magalhães. Ao colidir as sopas a velocidades altíssimas, as partículas delas vão se combinar e produzir muitas outras partículas e antipartículas, que se desintegram em partículas e antipartículas menores.








