Pesquisa da Universidade Villanova mostra que histórias geradas pelo ChatGPT receberam avaliações superiores às de autores humanos; quando os leitores acreditavam que o texto era humano, a nota era ainda maior 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Robô com livro em biblioteca — Foto: Freepik / Imagem gerada por inteligência artificial Leitores não apenas têm dificuldade para distinguir contos escritos por inteligência artificial daqueles produzidos por seres humanos, como também tendem a preferir as histórias criadas por IA. A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Villanova, nos Estados Unidos, que aponta uma mudança na percepção sobre a capacidade criativa dos sistemas de inteligência artificial. A pesquisa mostrou ainda que textos gerados pelo ChatGPT receberam avaliações mais altas de qualidade e envolvimento do que obras de autores humanos. Esqueça o ar-condicionado: 'geladeira para humanos' ajuda japoneses a enfrentar o calor‘IA pode otimizar, mas não substitui a informação capturada pela lente’, diz executivo da Zeiss Publicado na revista científica Judgment and Decision Making, o estudo reuniu três experimentos com mais de 2,5 mil participantes. No primeiro, 1.682 adultos leram um de seis contos — três escritos por autores humanos e três produzidos pelo ChatGPT, cada um com temática semelhante ao correspondente humano. Em alguns casos, os participantes receberam informações corretas sobre a autoria; em outros, a origem do texto foi propositalmente trocada. Os resultados indicaram que os contos produzidos por inteligência artificial foram avaliados como 6% melhores em qualidade e 8% mais envolventes do que os escritos por pessoas. O desempenho foi ainda superior quando os leitores acreditavam, erroneamente, que aquelas histórias haviam sido escritas por humanos, o que elevou as notas em cerca de 3%. Veja os robôs humanoides que ultrapassaram humanos em meia maratona em Pequim 1 de 6 m robô corre na segunda Meia Maratona Beijing E-Town e Meia Maratona Humanoides em Pequim, em 19 de abril de 2026. — Foto: Pedro Pardo / AFP 2 de 6 Um robô corre na segunda Meia Maratona Beijing E-Town e Meia Maratona Humanoides em Pequim — Foto: Pedro Pardo / AFP X de 6 Publicidade 6 fotos 3 de 6 Um robô corre na segunda Meia Maratona Beijing E-Town e Meia Maratona Humanoides em Pequim — Foto: Pedro Pardo / AFP 4 de 6 Um robô corre na segunda Meia Maratona Beijing E-Town e Meia Maratona Humanoides em Pequim — Foto: Pedro Pardo / AFP X de 6 Publicidade 5 de 6 Um robô corre na segunda Meia Maratona Beijing E-Town e Meia Maratona Humanoides em Pequim — Foto: Pedro Pardo / AFP 6 de 6 Um robô corre na segunda Meia Maratona Beijing E-Town e Meia Maratona Humanoides em Pequim — Foto: Pedro Pardo / AFP X de 6 Publicidade Humanos e robôs correram em pistas separadas durante a prova. Segundo a pesquisadora Deena Skolnick Weisberg, professora associada do Departamento de Ciências Psicológicas e do Cérebro da Universidade Villanova e autora sênior do estudo, o resultado revela um viés em favor da autoria humana. — As pessoas presumem que a escrita criativa exige qualidades exclusivamente humanas, como compreensão emocional e experiências de vida. Isso faz com que subestimem as capacidades atuais da inteligência artificial. As percepções do público sobre a IA já estão desatualizadas — afirmou. Leitores falham ao identificar autoria Os pesquisadores realizaram ainda dois experimentos adicionais, com 905 participantes ao todo. Neles, cada voluntário recebeu dois contos sobre o mesmo tema — um escrito por um humano e outro por IA — sem qualquer indicação sobre a autoria. O objetivo era identificar qual texto havia sido produzido por inteligência artificial. Os participantes acertaram apenas 39,9% das vezes em um experimento e 52% no outro. Segundo os autores, os resultados indicam que, na prática, as pessoas não conseguem diferenciar de forma confiável histórias produzidas por humanos e por IA. A pesquisa também identificou fatores associados ao desempenho nessa tarefa. Participantes que relataram maior familiaridade com ferramentas de inteligência artificial obtiveram melhores resultados na identificação dos textos gerados por IA. Já aqueles que afirmaram ter maior experiência com literatura não apresentaram vantagem significativa. No segundo experimento, cada ponto adicional na autopercepção de conhecimento sobre IA aumentou em 14% as chances de identificar corretamente o autor do texto — ou seja, quem entende mais sobre inteligência artificial tende a perceber seu uso com mais facilidade. No terceiro, utilizando a Escala de Alfabetização em Inteligência Artificial (AILS), esse aumento chegou a 33%. O jogo dos seis erros da inteligência artificial 1 de 12 O que foi informado ao sistema: imagem hiper-realista retrata um homem tirando uma selfie com os amigos em um cinema lotado. As pessoas assistem a uma comédia e riem muito — Foto: Imagem gerada por Midjourney 2 de 12 No cinema. A figura que segura o celular tem as mãos deformadas — Foto: Imagem gerada por IA/Midjourney X de 12 Publicidade 12 fotos 3 de 12 Harmonia: Um maestro conduz uma orquestra, rege com energia, a câmera está de costas para o maestro, os músicos estão de frente para a câmera, ele toca a Nona Sinfonia de Beethoven - Foto: imagem gerada por IA/Midjourney 4 de 12 Regência. A imagem exibe mão direita do maestro com dedo alongado. E a batuta se assemelha a um arco de violino — Foto: Imagem gerada por IA/Midjourney X de 12 Publicidade 5 de 12 O que foi informado ao sistema de inteligência artificial: imagem exibe uma pessoa com os braços cruzados, não foi solicitado que aparecesse o rosto - foto: imagem criada por IA/Midjourney 6 de 12 Em excesso. Imagem gerada por inteligência artificial mostra uma pessoa com mais um braço — Foto: Imagem gerada por IA/Midjourney X de 12 Publicidade 7 de 12 Alegria: Uma criança sorri imensamente feliz e até grita de boca aberta de tanta felicidade quando recebe um presente. Esta imagem serve como uma prova do poder da felicidade — Foto: Imagem gerada por IA/Midjourney 8 de 12 Sorriso assustador. O dente da criança que recebe o presente se confunde com a gengiva — Foto: Imagem gerada por IA/Midjourney X de 12 Publicidade 9 de 12 Dueto inusitado: Produção exibe a cantora brasileira Anitta cantando com o líder do Coldplay, Crhis Martin, dançando e cantando no palco, com luz de neon — Foto: Imagem gerada por IA/Midjourney 10 de 12 Atenção ao vocalista. A mão direita do cantor Chris Martin aparece com seis dedos — Foto: Imagem gerada por IA/Midjourney X de 12 Publicidade 11 de 12 Apreciando a vista. Um grupo de capivaras com a cidade do Rio de Janeiro ao fundo, em um dia de garoa, imagem no estilo de publicações voltadas para a vida animal — Foto: Imagem gerada por IA/Midjourney 12 de 12 É esse animal mesmo? Capivara aparece de rabo e mais parece um rato — Foto: Imagem gerada por IA/Midjourney X de 12 Publicidade Os erros da IA Weisberg afirmou que usuários mais experientes conseguem reconhecer padrões característicos da escrita produzida por IA, como o uso frequente de travessões e construções repetitivas do tipo "não é apenas X, é Y". Para ela, ampliar a alfabetização em inteligência artificial pode ajudar as pessoas a navegar melhor em um ambiente cada vez mais permeado por conteúdos gerados por máquinas. Clareza favorece textos produzidos por IA Os pesquisadores sugerem que a preferência pelos textos produzidos por IA pode estar relacionada ao estilo de escrita adotado pelos modelos de linguagem. Segundo Weisberg, as histórias geradas por inteligência artificial tendem a ser mais claras, diretas e fáceis de processar cognitivamente. Já os autores humanos costumam produzir narrativas mais sutis, complexas e abertas à interpretação, exigindo maior esforço do leitor. — Talvez as pessoas simplesmente prefiram conteúdos mais previsíveis, porque materiais difíceis ou sutis exigem mais esforço mental — afirmou. Apesar dos resultados, a pesquisadora ressalta que o estudo não significa que a produção literária humana tenha perdido valor. — Talvez precisemos abrir espaço para romances escritos por IA ou em colaboração entre humanos e inteligência artificial. Mas isso não elimina o valor da criatividade humana. As pessoas escrevem para se expressar, compreender suas experiências e desafiar a si mesmas.