Não tem cabimento movimento exigir reestatização de linhas concedidas à iniciativa privada 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Passageiros enfrentaram filas em estações de trem e buscaram informações durante greve da CPTM em São Paulo — Foto: Maria Isabel Oliveira/O Globo Foi um abuso com a população da Grande São Paulo a greve deflagrada por ferroviários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) nesta terça-feira, que paralisou totalmente a linha 13 (Jade) — incluindo a ligação ao Aeroporto de Guarulhos — e parcialmente as linhas 11 (Coral) e 12 (Safira). Embora o governo tenha posto em marcha planos de contingência, com aumento de trens e ônibus para atender às áreas mais afetadas, foi incontornável o sacrifício imposto aos paulistanos que dependem do transporte ferroviário. A paralisação não respeitou os contingentes mínimos de trabalhadores ordenados pela Justiça. O Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo determinara ao menos 80% no horário de pico e de 60% nos demais períodos. O presidente da CPTM, Michael Cerqueira, afirmou que os grevistas descumpriram a decisão, comprometendo o plano da companhia de reabrir as estações gradualmente. “A gente não pode permitir que uma pauta política se torne um movimento que prejudique a população”, disse. Os grevistas fizeram reivindicações estapafúrdias, entre as quais a reestatização definitiva das linhas 11, 12 e 13 (concedidas à empresa privada Trivia Trens), a garantia de empregos e o apoio do governo ao Projeto de Lei que prevê a absorção dos empregados da estatal por órgãos públicos depois das concessões. Ora, a concessão de linhas de trem é atribuição do estado. Faz parte das políticas públicas do Executivo e não pode ser negociada como pauta de movimento grevista. Tampouco a empresa privada pode garantir manutenção de empregos, uma vez que o número de funcionários dependerá das necessidades operacionais. Houve, é verdade, problemas em linhas concedidas. Em 23 de julho, uma explosão seguida de incêndio num trem da linha 12, então administrada pela Trivia, levou à paralisação de ramais e instalou o caos no transporte paulistano. Foram aterradoras as cenas de pânico e de passageiros, inclusive idosos, pulando muros ou caminhando sobre trilhos depois do fogo. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) determinou que a CPTM assumisse temporariamente a operação enquanto as causas do acidente são investigadas. É claro que eventuais problemas na concessão devem ser discutidos, mas pelo governo, pela agência reguladora, pela Assembleia Legislativa — jamais numa pauta de greve. Ninguém parece pensar no cidadão que acorda de madrugada para pegar o transporte e muitas vezes é apanhado de surpresa por uma greve de conveniência. Todos os sistemas de transporte ficam sobrecarregados. Muitos passageiros não dispõem de recursos para pegar táxis ou veículos de aplicativos, cujos preços disparam nessas situações. A opção é viajar espremido, fazer longos trajetos a pé, ou ficar impedido de trabalhar. No mês passado, a greve de rodoviários no Rio impôs à população a mesma via-crúcis. O direito à greve é legítimo. Mais legítimo ainda é o direito do cidadão de pegar um trem ou um ônibus para ir ao trabalho.
Greve da CPTM em SP está repleta de reivindicações estapafúrdias
Não tem cabimento movimento exigir reestatização de linhas concedidas à iniciativa privada













